7 erros que eu podia não ter cometido na minha startup

Como empreendedora tenho grandes ambições, muita energia e sobretudo paixão pelo que faço. Como empreendedora, faço erros todos os dias. E ainda bem.

O empreendedor.com pediu-me para partilhar com outros empreendedores o processo de desenvolvimento da minha startup, a impacTrip, e foi isso que tentei fazer de um modo pouco convencional.

Tenho apenas 24 anos mas estudei gestão internacional e quando decidi avançar seriamente com o projeto que viria a ser a impacTrip li dezenas de páginas, documentos, livros e artigos sobre empreendedorismo.

Apesar de tudo isso, penso que cometi todos os erros clássicos sem falhar nem um. No fim, agradeço por isso porque me ajudou a chegar onde estou hoje. Entre as muitas asneiras que fiz estas são as que melhor definem o crescimento da impacTrip:

 

1. Não começar pela pesquisa
Este erro saiu-nos muito caro em termos de tempo. Apesar de termos saltado logo para o terreno e começado a testar o conceito, faltou-nos conhecimento do que havia no mercado, de como o Turismo Solidário tinha sido aplicado internacionalmente, entre muitas outras coisas (quase tudo na verdade).

Penso que teríamos poupado alguns meses se tivessemos feito a pesquisa inicialmente. A impacTrip fez o seu primeiro Business Plan completo quase 1 ano depois de ter começado oficialmente. (Mas aí fizemo-lo com pés e cabeça, 109 páginas de informação inestimável).

 

2. Falta de estratégia
Outro erro que nos custou muito tempo e que está muito relacionado com o anterior foi a falta de estratégia inicial. Depois do conceito validado e a ideia estruturada, há sempre infinitas maneiras de a operacionalizar e eu tentei demasiadas coisas ao mesmo tempo esperando chegar onde queria.

Este erro foi notório na abordagem para criar uma rede de parceiros sociais. A primeira ideia que tivemos foi contactar as Câmaras Municipais para aceder a sua base de dados. Erro enorme. A burocracia típica destas entidades e as diferenças de expectativas tornou este processo impossível.

Decidimos por último contactar as organizações uma a uma e conseguimos alcançar resultados extraordinários como a nossa rede de parceiros atual.

 

3. Falta de foco
Hoje em dia a impacTrip tem experiências por todo o país, em várias áreas sociais e com diversas atividades. Esta diversidade de oferta é fruto de muitos meses de desenvolvimento dos serviços, parcerias, negociações e co-criação.

Nos primeiros meses nem sabíamos para onde nos voltar com tanto para criar. Criámos dezenas de pacotes… Alguns não faziam sentido nenhum, outros foram o protótipo de produtos disponíveis hoje.

Mas a conclusão é inegável, teria sido mais produtivo criar um programa de cada vez considerando o feedback dos viajantes e ir adaptando com o tempo.

 

4. Acreditar que podia fazer tudo sozinha
Noites em branco, refeições à secretária, nenhum desporto ou saídas à noite, ver os amigos de raspão e tempo às pinguinhas para a família. Estes foram os meus primeiros meses a construir a impacTrip.

Estava a trabalhar a full-time em consultoria de gestão na CapGemini e a criar as bases do que viria meses depois a ser uma startup em fase de piloto, tudo isto a um ritmo alucinante. Aí percebi que não era a super-mulher e realmente era tudo demais para uma pessoa só.

Procurei um co-founder e, muito rapidamente e por sorte, encontrei o Diogo Areosa que tem experiência no sector do turismo e um enorme talento natural para vendas. Temos trabalhado lindamente em equipa desde então e penso que foi a melhor decisão que tomei em todo este processo.

Não aconselho a ninguém (ninguém mesmo) trabalhar sozinho. O brainstorming que se faz para propostas, a motivação que gera entre a equipa e o feedback que recebemos é algo essencial para o sucesso da empresa. Tem-no sido para a impacTrip.

 

5. Escolher sempre o mais barato
A nossa primeira prioridade depois de ter a oferta alinhada foi desenvolver a plataforma online. Desafiei uma amiga e ela alinhou no projeto com toda a sua boa fé e por acreditar no conceito.

Obviamente as expectativas não estavam alinhadas pois nós tínhamos uma urgência enorme em ter o site pronto e isso não era compatível com o tempo disponível (depois do trabalho) que a minha amiga tinha.

O budget que tínhamos era realmente muito curto mas teria sido compensado por termos começado a vender mais rapidamente.

 

6. Falta de aconselhamento
A certa altura é necessário ouvir experts especializados para evoluir mais rapidamente e evitar erros desnecessários. Para um budget típico de start-up não é possível obter esse acompanhamento de forma individual e é por isso que existem os programas de incubação e aceleração. Aconselho vivamente.

No nosso caso integrámos o programa PAES (Programa de Apoio a Empresas Sociais) do BIS (Banco de Inovação Social) e recebemos formação que nos foi bastante útil.

Desafiámos também uma pessoa de confiança para ser nosso mentor e actualmente trocamos ideias com ele regularmente.

 

7. Build it and they will come
Depois de meses de trabalho e adiamentos de prazos sem conta, chegou a hora tão aguardada do lançamento. Post no facebook, muitas partilhas e… nada. Zero vendas, zero follow-up. Aprendemos uma grande lição na nossa primeira semana. As coisas não acontecem por si só.

O turismo (como tantas outras) é uma indústria muito competitiva e só muito trabalho resulta em vendas. Desde ai temos vindo a desenvolver uma série de parcerias comerciais para conseguir fazer a ponte entre as nossas experiências e o consumidor, o viajante solidário. Hoje em dia já conseguimos chegar ao nosso público-alvo através dos canais certos.

 

Para mim esta tem sido uma experiência de empreendedorismo muito rica porque aprendo a cada dia que passa e felizmente tenho tido muitas alegrias a par dos erros cometidos.

A impacTrip é hoje uma empresa sustentável que concilia a sua actividade comercial com um impacto social e ambiental positivo e profundo nas comunidades locais onde trabalhamos.

O empreendedorismo é mesmo uma montanha russa de aprendizagem e teste às nossas competências, flexibilidade e criatividade. Não aconselhado a doentes cardíacos ou desistentes mas recomendado a pessoas proactivas, resilientes e positivas.

Boas viagens!

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