Empreendedorismo social: “um nicho de mercado extraordinário”

Em entrevista ao Empreendedor.com Eugénio Fonseca, explicou que a crise demográfica e a crescente exigência do mercado de trabalho, obrigam as famílias a encontrar soluções de apoio aos mais idosos, por isso, a área social – o chamado Terceiro Setor – tem potencialidades fortíssimas para poder dar respostas às necessidades das pessoas. ‘Quem quiser arriscar em ideias de negócio para a prestação de serviços sociais, tem aqui um nicho de mercado extraordinário, particularmente no apoio aos mais velhos’, defendeu.

Foi nessa perspetiva que a Cáritas desenvolveu Criatividade, de incentivo ao franchising social. ‘Nós estamos perfeitamente conscientes de que há uma faixa da população que foi vítima das circunstâncias económicas que o país atravessou e que possivelmente poderão não vir a ter trabalho por conta de outrem. Portanto, há que resolver o problema da sobrevivência dessas pessoas, sendo certo que nem todas terão capacidade para empreender’. A solução não passa exclusivamente pelo empreendedorismo, explica Eugénio Fonseca, ‘mas não poderemos deixar de ajudar aqueles que venham a revelar-se com a resiliência e força criativa para conseguir a sua autonomia financeira’.

A crise que afetou também o setor bancário condicionou o desenvolvimento do projeto Criatividade da Cáritas. ‘Teria sido bom que houvesse uma linha de financiamento, na lógica das entidades bancárias, mas suportada por fundos comunitários, para apoiar projetos de empreendedorismo’ argumentou o presidente da Cáritas portuguesa, sublinhando que ‘se o projeto Criatividade conseguisse ter um fundo de investimento, certamente que – com as ideias que apareceram – mais gente teria ultrapassado as suas dificuldades sociais.’

O apoio ao empreendedorismo está no ADN da Cáritas, frisou Eugénio Fonseca ‘a nossa vocação não é apenas para distribuir ajuda, mas é sobretudo para ajudar à superação dos problemas, quer no apoio à pobreza extrema, quer na capacitação das pessoas e na geração de emprego’. Para isso, o presidente da Cáritas promete que a sua organização vai continuar ‘a dinâmica de procurar reunir condições para no futuro retomarmos o apoio a iniciativas de franchising social porque esse é também o contributo que queremos dar à sociedade portuguesa, evitando que mais pessoas possam cair na pobreza estrutural’.

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