Imagem profissional feminina

O impacto da imagem feminina no universo profissional raramente é neutro (mas convém que não seja negativo!) e os julgamentos dos demais são, por vezes, muito duros. Se uma mulher segue a moda, é encarada como ‘fashion victim’; se não a segue, é antiquada; se cuida muito da sua aparência, é fútil; se não se cuida, é desleixada… O difícil, como em tudo, é atingir um equilíbrio entre o estilo pessoal e o contexto profissional. Até porque, as tradicionais fronteiras entre vestuário formal e informal estão, cada vez mais, esbatidas, dado que a sociedade tem vindo a caminhar, muito rapidamente, para a informalidade.

Assim, a base de um processo de construção ou redefinição da imagem profissional consiste no autoconhecimento: quem somos, o reconhecimento do biótipo, a caracterização dos traços mais marcantes da personalidade, que mensagem queremos transmitir; seguidamente, o conhecimento do ambiente onde maioritariamente nos inserimos (por exemplo, a área de negócios onde atuamos, a formalidade ou informalidade do contexto profissional onde nos movemos, os traços comuns entre as pessoas que integram esse universo profissional). Desta cuidadosa análise, resultarão as principais linhas de orientação a seguir.

Caracterizados estes fatores, é estimulante criar ou recriar um guarda-roupa profissional, cujas principais características cumpram os objetivos definidos. Como em todas as mensagens, a coerência é fundamental (por exemplo, é contraproducente uma imagem formal num contexto claramente informal, ou vice-versa). Neste passo, revela-se muito útil olhar para as peças que se possui, com um olhar crítico, arrumando, separando, segmentando, isto é, numa só palavra, organizando. Deste processo de organização resultará a identificação de eventuais necessidades. Note-se que o aspeto determinante num guarda-roupa profissional é ser composto por peças coordenáveis entre si. Considere que, por exemplo, com oito conjuntos coordenados poderá apresentar até vinte e quatro ‘outfits’ diferentes. Portanto, mais do que a quantidade, importa imprimir racionalidade no ato de comprar.

No vestuário, propriamente dito, devem ser considerados os seguintes fatores: cores, padrões, texturas, modelos e formas. Para acertar, a mulher deve ter bem identificado o seu tipo de silhueta. O estilo de uma mulher enquadrada num universo profissional multicultural, por exemplo, pode ser clássico ou contemporâneo (mais ou menos formal consoante a personalidade e as circunstâncias). O estilo clássico transmite uma mensagem de autoridade, de credibilidade, de respeito e é intemporal. O estilo contemporâneo transmite uma mensagem de refinamento e de segurança. Ambos privilegiam peças funcionais e coordenáveis, de linhas estruturadas, de corte impecável e de cores discretas, detendo os acessórios um papel fundamental.

Felizmente, o universo profissional tem vindo, nas últimas décadas, a passar por um processo de feminização, que se verifica pelo aumento das mulheres no mercado de trabalho, pelo ingresso de mulheres em áreas anteriormente monopolizadas por homens, pela própria modificação do universo laboral. Todavia, em alguns ramos de atividade, segmentos de mercado e geografias continua a ser mais difícil para as mulheres chegarem ao topo, e existem contextos onde a dominação masculina ainda é uma realidade. Também por esta razão, a imagem feminina em contexto profissional não pode ser descurada, obrigando a um investimento constante, mas gerando mais-valias garantidas.

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Cristina Fernandes
Profissional de Comunicação, Protocolo e Etiqueta, Secretariado e Organização de Eventos. Desenvolve projectos de formação e consultoria em diversas organizações, públicas e privadas, em Portugal, Angola e Brasil. É autora do livro “Manual de Protocolo Empresarial”, editado em Outubro de 2014 pela Universidade Católica Editora.

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