Nunca é tarde para começar

João Mouga Vieira formador e coach
Foto: Empreendedor

O Coach não foi a sua primeira opção. Quando João Mouga Vieira decidiu mudar tinha já uma longa carreira dedicada à indústria farmacêutica, mas abraçou a profissão de coach como a continuação daquilo que já fazia na empresa com os seus colaboradores.

Aos 47 anos decidiu enveredar pela carreira de consultor e coach, primeiro através de uma franquia de marca, depois desenvolvendo a sua própria metodologia e criando a sua empresa. Reconhece que o mercado está desregulado, mas o tempo e os clientes acabarão por separar as águas entre os bons e maus profissionais.

Não é tarde para começar?

Não. Eu já tinha na altura 47, quando fiz a formação em coaching em 2006. Não é tarde para começar. A ideia de abrir o meu próprio negócio começou mesmo dentro das empresas onde passei. Quando saí da indústria ainda estive um par de anos a fazer consultoria, mas depois vi o coaching como uma alternativa, por isso avancei com a formação em coaching e a certificação nos Estados Unidos.

E quando decidiu desenvolver a sua própria metodologia?

Comecei com uma licença de franchising, mas depressa constatei que a metodologia proposta não fazia sentido aqui. A lógica nos mercados anglo-saxónicos e americano é de coaching por telefone e eu percebi que esse não era o modelo que os empresários portugueses estão dispostos a pagar. O master também não colaborou muito. Não havia território e por isso os clientes eram contactados por vários coaches da mesma marca. A sobreposição de oferta levou também à concorrência de preços, onde cada um fazia o seu preço e já não era nada do que se tinha combinado. Finalmente, o master decidiu concorrer com os franquiados assumindo o coaching das grandes multinacionais estabelecidas em Portugal.

E foi por isso que decidiu mudar… E criar a Feed?

Esse foi o momento de viragem. Decidi que não ia passar o resto da minha vida a pagar uma licença de franchising e depois ter de adaptar a metodologia. O coach sou eu e a metodologia será aquela que nós criamos, não dependendo do que o franchisador definiu como padrões. A Feed nasce para desenvolver consultoria, formação e coaching. Tem estas três vertentes.

‘Será o próprio mercado que validará se o coach tem ou não capacidades e competências para manter-se no mercado. Esta é uma realidade que não é só portuguesa’

O mercado de coaching não está saturado com muita gente a sobrepor-se sem estar qualificada?

Esse é o risco num mercado que não está regulado, como é o caso. Para ser coach não é preciso ter um certificado académico, nem muitas horas de formação. Há numerosas entidades a atribuir certificações e só os mais entendidos conseguem diferenciar os padrões de qualidade que as distinguem.

E alguns nem sequer certificações têm…

A barreira à entrada é fraca, digamos assim. Será o próprio mercado que validará se a pessoa tem ou não capacidades e competências para manter-se no mercado. Esta é uma realidade que não é só portuguesa. O ICF – International Coach Federation fez um estudo interessante no final do ano passado e identificou uns 55 mil coaches no mundo – curiosamente a maioria são mulheres – que em média vendem 3 produtos. O ICF defende que haja um número de horas mínimo de formação e tenham formações anuais, mas na verdade isso não é generalizado. Existe o capítulo português do ICF que tenta institucionalizar a profissão…

Quer dizer que é preciso regular a profissão?

Esse tem sido o objetivo, mas como em tudo muito novo, e sobretudo quando é um bom negócio – porque dar formação e coaching é um negócio interessante – não tem sido fácil encontrar o tal padrão que permita regular ou, enfim, levar os profissionais a autorregular-se e poder estar no mercado encontrando um padrão que dissesse que ‘esta é a nossa ordem’.

Isso preocupa-o?

Preocupa-me porque de alguma maneira as pessoas também se desacreditam daquilo que têm sido as suas experiências com os coaches com quem têm contactado e percebem bem que claramente não é só uma questão de formação, nem de background, nem de título académico. É porque tem muito a ver com a própria pessoa. Porque em boa verdade, o coach é alguém que procura descobrir as potencialidade e capacidades que vão permitir ao seu cliente evoluir no seu caminho… Não de trata de fazer uma prescrição.

Nem todos podem ser coaches…

Para ser coach tem de se ter maturidade e capacidade para levar as pessoas a descobrir o seu caminho, não no sentido diretivo, mas que seja capaz de criar pressão na disciplina e no rigor da exigência para que as pessoas façam esse caminho. Esta linha que separa as duas coisas não é fácil para se separar.

Mas é um mercado atrativo.

Continua a ser um mercado atrativo porque é uma uma técnica que pode ser aplicada a um conjunto enorme de áreas. Portanto, nesse ponto de vista tanto pode ser importante para uma esteticista ter uma formação em coaching para poder trabalhar a sua equipa, até alguém que faz coaching num contexto empresarial, ou até do ponto de vista pessoal.

‘O coach é alguém que procura descobrir as potencialidade que vão permitir ao seu cliente evoluir no seu caminho… Não de trata de fazer uma prescrição’

Como começou o coaching em Portugal?

Em Portugal o coaching começou a ser procurado pelas empresas multinacionais. O coaching executivo foi a primeira grande entrada no mundo dos negócios. Começou por ser uma mistura do coaching com mentoring. Mais tarde percebeu-se que não era necessário que o coach fosse alguém da mesma área profissional ou que fosse especialista nas mesmas competências em que trabalhavam as pessoas, e isto alargou o coaching ao gestor de equipas tornando-o transversal às organizações.

qual é a diferença entre o coaching executivo e os outros tipos de coaching?

coaching executivo é mais focado numa determinada área (vendas por exemplo) e o business coach trabalha com o empresário e com a sua equipa, neste sentido é mais transversal e a abordagem em sempre nos resultados e não apenas na tarefa.

E como se avalia o trabalho feito pelo coach?

O foco é sempre nos resultados. Se o meu negócio for comercial, tenho de medir a rentabilidade e comparar com o resultado, depois das coisas estarem a funcionar em pleno. Na lógica do coaching procura-se sempre olhar para as metas e para os objetivos com a lógica do SMART: objetivos específicos, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e definidos no tempo. Mesmo numa lógica de carreira nós temos de ter em conta os objetivos definidos com o nosso trabalho, isto é, temos métricas para ir avaliando o nosso caminho sempre olhando para os resultados do trabalho que fazemos. Se é um negócio temos de olhar para os resultados do próprio negócio, as vendas.

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