Quebra-mitos: “Pelo menos tenho estabilidade…”

Acho simplesmente que vivemos em média, de acordo com as estatísticas, 80 velozes anos. Mais coisa menos coisa. E ‘o menos coisa’ nunca sabemos quando é. Pode ser daqui a um ano ou daqui a dez. Preferencialmente, daqui a muitos anos. O que não faz sentido é perdermos um só dia das nossas vidas infelizes. E, por isso, fico contente com esta vaga empreendedora, na medida em que constitui uma alternativa. Um projeto de felicidade diferente daquele que nos foi proposto nas últimas décadas. Mais uma janela de hipótese de felicidade.

Durante muitos anos, foi-nos ‘vendido’ que a felicidade passava por ter o mesmo emprego durante 40 ou 50 anos, comprar casa, ter filhos, tentar ter um carro alemão de qualidade, vestir um fato italiano e falarmos de coisas complicadas que só os nossos colegas percebem. Um ordenado, fixo, independentemente daquilo que produzimos a cair ao fim do mês. E até, com variações ‘troikistas’, subsídios. Trabalhamos 11 meses, recebemos 14. Sounds good?

Em troca: reuniões absolutamente inúteis, fins de semanas no escritório, ‘bocas’ por sairmos às sete da tarde (‘Hoje tiraste o dia?’), zero de participação na estratégia da empresa. Enfim, nas entrevistas pedem para vestirmos a camisola. Mas, no fundo, isso significa apenas que querem que sejamos uns ‘puxa sacos’. Mas no trade-off entre benefícios e custos algumas pessoas continuam a ‘comprar’ esta carreira…. a tradicional.

Outras acham que o projeto de felicidade não passa por ir de Mercedes para o escritório, mas que ir de bicicleta pode ser porreiro. Aliás, que pode ser porreiro não ter escritório! Que a gravata aperta demasiado e que há t-shirts giras. E que chegar às sete da tarde é bom. Pode ser ‘giro’ fazer coisas como jantar algo mais substancial que uns cereais moles às onze da noite e que o ecrã do cinema é capaz de ser mais interessante a uma sexta à noite que o ecrã do computador do trabalho.

Para esses o empreendedorismo é quase uma salvação. Uma hipótese de ser o próprio patrão, de decidir a estratégia do negócio, de fazer a própria agenda. E chegados aqui, cumpre já desmistificar: É tudo um arco-íris? Nem por sombras. Há dificuldades? Imensas. Em muitas coisas é mais duro do que o trabalho típico? Sim. Conseguimos mesmo ser donos da nossa agenda? Nem sempre.

Também a solução de felicidade baseada no empreendedorismo tem coisas boas e más. Por exemplo, quando trabalhamos para outra pessoa conseguimos desligar. Podemos só vir 6 horas a casa, mas durante esse período de tempo estamos desligados (até porque é possível que estejamos a dormir…). No nosso próprio negócio? Até a dormir ouvimos a notificação do e-mail!

Mas na lista dos pontos ‘negativos’, os antiempreendedorismo, portanto aqueles que beneficiam com a manutenção do status quo, ou, apimentemos, aqueles que têm alguma inveja de quem consegue ser bem-sucedido por si próprio, lançaram logo um argumento poderoso: pelo menos no trabalho por conta de outrem existe estabilidade profissional.

Faz-vos sentido? Se eu trabalhar para um chefe posso ser despedido. Se eu trabalhar para mim não posso ser despedido. Este argumento simples chegaria para quebrar este mito. Mas, afinal, alguém tem ideia de qual é a estratégia da direção da empresa onde trabalha? Faz ideia se as contas estão bem ou mal (só começa a perceber isso, quando estão mesmo mal e o despedimento coletivo se aproxima…)? Faz ideia se o objetivo é investir ou expandir, ou se o próximo ano vai ser de cortes? Faz ‘puto de ideia’ se amanhã chega ao escritório e é despedido? Ao contrário, quando se tem um próprio negócio a pessoa sabe exatamente em que ponto está. Domina todas as variáveis do seu projeto. Existe alguma estabilidade maior que essa?

Ah, mas a empresa X é tão grande que nunca vai fechar. Really? Olhando para o que aconteceu nos últimos anos?

Pelo menos cai o dinheiro certo ao fim do mês. Isto se não houver salários em atraso. Mas ‘cai’ o dinheiro e muitas vezes ‘cai’ a tempo. Por falar nisso, já fizeste as contas de quantas horas trabalhas por mês? Faz. Já está? Agora diz-me lá o teu valor por hora.Pois…

Mas a maioria dos projetos empreendedores não dão certo. Está estatisticamente provado. Além disso, ‘quem tudo quer tudo perde’. Eu fico no mesmo sítio. nMais dois mitos: o de que a maioria dos empreendimentos dão errado e o provérbio que nos é ‘cantado’ desde pequenos de que ”quem tudo quer tudo perde’. nTentarei quebrá-los em próximas oportunidades.

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