O início de 2026 encontra empresas e investidores num contexto de risco elevado e persistente, moldado por instabilidade geopolítica, volatilidade financeira e uma crescente exposição a falhas operacionais, em particular na esfera digital. Mais do que episódios conjunturais, estes riscos assumem hoje um caráter estrutural, com impacto direto na tomada de decisão empresarial.
A leitura dos principais indicadores regulatórios e de mercado aponta para um ano em que a gestão do risco será tão determinante quanto a capacidade de crescimento. É o caso do Risk Outlook 2026, publicado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, que oferece mais do que uma leitura técnica dos mercados financeiros e funciona como um sinal estratégico para empresas, investidores e gestores num início de ano marcado por incerteza geopolítica, volatilidade e desafios estruturais que vão além do setor financeiro.
Ao manter em níveis elevados o risco de mercado e o risco operacional, o regulador traça um cenário que exige preparação ativa e decisões informadas, sobretudo num contexto em que a resiliência organizacional passa a ser um fator competitivo.

Volatilidade financeira como novo normal
Os mercados financeiros entram em 2026 sob o peso de tensões geopolíticas prolongadas, disputas comerciais e sinais de desaceleração económica. Este enquadramento aumenta a probabilidade de ajustamentos nos preços dos ativos e reduz a previsibilidade dos fluxos financeiros.
Para as empresas, este ambiente traduz-se em maior incerteza no acesso a financiamento, maior sensibilidade ao custo do capital e menor margem para estratégias excessivamente expostas aos mercados. A volatilidade deixa de ser exceção e passa a integrar o quotidiano da gestão financeira.
Cibersegurança: o risco que deixou de ser invisível
Entre os riscos mais críticos para 2026 destaca-se o risco operacional associado à cibersegurança. A crescente digitalização dos processos empresariais, aliada ao aumento e sofisticação dos ataques informáticos, coloca em causa a continuidade operacional, a proteção de dados e a confiança dos clientes.
Este risco já não se limita às instituições financeiras ou às grandes organizações. PME, startups e empresas industriais tornaram-se igualmente alvos, muitas vezes com menores recursos de defesa. Em 2026, a cibersegurança afirma-se como um tema de governação e não apenas de tecnologia.

Liquidez e crédito: equilíbrio frágil
Os riscos de liquidez e de crédito mantêm-se relativamente controlados, mas esse equilíbrio é descrito como frágil. Qualquer agravamento do contexto internacional — seja por conflitos, sanções ou choques económicos — pode refletir-se rapidamente nos custos de financiamento e na disponibilidade de crédito.
Para empresas com estruturas financeiras mais expostas, este cenário reforça a importância de planeamento conservador, gestão rigorosa de tesouraria e diversificação de fontes de financiamento.
Cadeias globais sob pressão permanente
Outro fator de risco relevante para 2026 prende-se com a exposição indireta das empresas a perturbações nas cadeias globais de abastecimento. Medidas tarifárias, conflitos regionais ou restrições logísticas continuam a ter impacto nos custos, nos prazos e na previsibilidade da produção.
Mesmo empresas com atividade predominantemente nacional não estão imunes, dado o grau de interdependência das economias. O risco geopolítico passou a ser um elemento permanente do planeamento estratégico.

Um ano para gerir risco, não para o ignorar
O cenário que se desenha para 2026 aponta para um ambiente exigente, em que crescimento e inovação terão de coexistir com uma gestão mais sofisticada do risco. A capacidade de antecipar vulnerabilidades, reforçar resiliência e investir em segurança financeira, operacional e digital, será decisiva.
Para líderes empresariais, o desafio não está apenas em reagir aos riscos, mas em integrá-los na estratégia. Em 2026, ignorar o risco pode ser o maior risco de todos.







