Hospitalização domiciliária ganha peso na sustentabilidade da saúde

Hospitalização domiciliária ganha relevo como modelo estratégico para a sustentabilidade do sistema de saúde em Portugal, com impacto na gestão e liderança.

Foto de AESE Business School

A hospitalização domiciliária está a afirmar-se como um modelo estratégico para a sustentabilidade e humanização do sistema de saúde em Portugal, exigindo novas abordagens de gestão, liderança e transformação organizacional, concluiu um debate promovido pela AESE Business School.

A conferência reuniu decisores e especialistas para discutir a crescente prestação de cuidados de saúde fora do ambiente hospitalar, num contexto de pressão sobre recursos, envelhecimento da população e necessidade de melhorar a experiência do doente. O modelo de hospitalização domiciliária foi apresentado como uma resposta estruturante, capaz de conciliar eficiência, qualidade clínica e proximidade ao cidadão.

Para a AESE, o desafio vai além da dimensão clínica e coloca questões centrais de governação e liderança. Segundo José Fonseca Pires, responsável pela área da Saúde da escola, este modelo “exige uma reorganização dos processos, das equipas e da tomada de decisão”, reforçando a importância de uma visão integrada sobre sustentabilidade e valor em saúde.

A transformação digital surgiu como um dos pilares desta mudança, mas com uma leitura crítica. Micaela Seemann, da CUF, sublinhou que a tecnologia só gera impacto quando está alinhada com a melhoria efetiva do serviço e com uma utilização mais eficiente dos recursos, afastando uma abordagem centrada apenas na adoção de ferramentas digitais.

Outro eixo destacado foi a necessidade de medir resultados e alinhar incentivos. João Marques Gomes, da ULS Cova da Beira, enquadrou a hospitalização domiciliária no conceito de Value-Based Health Care, defendendo o uso sistemático de indicadores de desempenho para suportar decisões de gestão e política pública.

O papel das lideranças intermédias foi igualmente identificado como crítico. Adelaide Belo, presidente da PAFIC, salientou que a capacidade de mobilizar equipas e articular diferentes áreas é determinante para a consolidação de modelos integrados de cuidados.

No encerramento, o Secretário de Estado da Gestão da Saúde, Francisco Rocha Gonçalves, enquadrou a hospitalização domiciliária como uma prioridade na agenda pública, sublinhando que a transformação digital do Serviço Nacional de Saúde deve preservar valores como a dignidade, a solidariedade e o serviço ao cidadão.

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