M&A global recupera força e redefine a estratégia das empresas em 2026

O mercado global de M&A em 2026 entra num novo ciclo, impulsionado por estratégia, IA e maior disciplina financeira nas decisões empresariais.

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O mercado global de fusões e aquisições (M&A) entrou, em 2025, numa fase clara de recuperação e aponta para um novo ciclo estratégico em 2026. Depois de dois anos marcados por retração, incerteza macroeconómica e prudência excessiva, os dados mais recentes, publicados pela Bain & Company no seu Global M&A Report 2026, indicam uma retoma sustentada da atividade de M&A, com impacto direto na forma como as empresas encaram crescimento, transformação e posicionamento competitivo. O mercado global de M&A em 2026 tende a afirmar-se menos oportunista e mais estrutural, ancorado em decisões estratégicas de longo prazo.

Do congelamento à reativação do mercado

Segundo os dados agora divulgados, a atividade global de M&A cresceu cerca de 40% em 2025, sinalizando o fim do ciclo defensivo iniciado após o pico inflacionista e o endurecimento das condições financeiras em 2022 e 2023. Esta recuperação não resulta de uma explosão de mega-negócios, mas sim de um aumento consistente de transações de dimensão média, mais alinhadas com objetivos de reforço de capacidades, consolidação setorial e expansão seletiva.

A descida gradual das taxas de juro, a maior previsibilidade macroeconómica e a estabilização das avaliações criaram condições para que conselhos de administração e equipas executivas voltassem a encarar o M&A como ferramenta estratégica, e não apenas como resposta tática a pressões de curto prazo.

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M&A como instrumento de execução estratégica

Um dos sinais mais relevantes deste novo ciclo é a mudança de racional subjacente às operações. Em vez de aquisições orientadas exclusivamente para escala ou quota de mercado, os dados mostram uma crescente utilização do M&A como forma de acelerar transformação organizacional, acesso a talento especializado e incorporação de novas competências tecnológicas.

A lógica dominante deixou de ser “comprar crescimento” e passou a ser “comprar capacidade”. Isto é particularmente visível em setores como tecnologia, energia, indústria avançada, serviços financeiros e saúde, onde a velocidade da inovação tornou insuficiente o crescimento orgânico tradicional.

Inteligência artificial muda o jogo das aquisições

A inteligência artificial surge como um dos principais motores desta nova vaga de M&A, não apenas como setor de investimento, mas como fator transversal a todo o processo. Os decisores identificam a IA como elemento crítico tanto na identificação de alvos como na avaliação de risco, na due diligence e na integração pós-aquisição.

Ao mesmo tempo, muitas empresas optam por adquirir competências já testadas em vez de desenvolver internamente soluções de IA, reduzindo o tempo de entrada no mercado e mitigando riscos de execução. Esta dinâmica reforça a ideia de que o M&A está cada vez mais ligado à capacidade de adaptação estratégica num contexto tecnológico acelerado.

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O papel dos CFOs e a centralidade da disciplina financeira

Apesar do maior apetite para aquisições, o novo ciclo é marcado por maior rigor financeiro. Os CFOs assumem um papel central na validação estratégica das operações, com foco reforçado na criação de valor real, na geração de cash flow e na sustentabilidade das estruturas de capital.

Os dados mostram que a disciplina de valuation regressou ao centro das decisões. As empresas estão menos dispostas a pagar prémios excessivos e mais atentas à capacidade dos ativos adquiridos contribuírem, de forma mensurável, para os objetivos estratégicos definidos.

Europa e Portugal no radar dos investidores

O contexto europeu acompanha esta tendência global, com sinais claros de dinamismo renovado. Mercados considerados maduros, como Alemanha, França e Reino Unido, continuam a concentrar volume, mas países como Portugal surgem cada vez mais como destinos atrativos para operações de média dimensão, sobretudo em setores ligados à energia, tecnologia, infraestruturas e serviços especializados.

A combinação entre talento qualificado, ecossistema empresarial em amadurecimento e maior sofisticação dos investidores tem vindo a posicionar Portugal de forma mais consistente no radar do capital estratégico internacional.

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O que muda para líderes e conselhos de administração

A principal conclusão deste novo ciclo é clara: o M&A volta a ser uma ferramenta central de estratégia empresarial, mas num enquadramento muito mais exigente. As organizações que liderarem este movimento serão aquelas que conseguirem articular visão estratégica, disciplina financeira e capacidade de integração operacional.

Num mercado global de M&A em 2026 mais ativo, mas também mais seletivo, a vantagem competitiva não estará em fazer mais negócios, mas em fazer os negócios certos, no momento certo e com execução rigorosa.

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