Preço justo e transparência redefinem valor para os consumidores em 2026

O comportamento do consumidor em 2026 é marcado pelo preço justo, rejeição da shrinkflation e uso crescente de IA, segundo um estudo internacional.

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O preço justo e a transparência tornaram-se os principais critérios de decisão dos consumidores em 2026, num contexto de perda de poder de compra, pressão inflacionista e maior escrutínio sobre práticas como a shrinkflation, segundo um estudo internacional.

As prioridades dos consumidores estão a sofrer uma mudança estrutural em 2026, com o preço justo e a transparência a afirmarem-se como os principais pilares do valor percebido. A conclusão é do relatório anual What matters to today’s consumer 2026: How AI is transforming value perception, elaborado pelo Research Institute da Capgemini, que analisa o comportamento de consumo em doze países da América do Norte, Europa e Ásia-Pacífico.

O estudo indica que quase três em cada quatro consumidores admitem mudar de marca caso encontrem preços mais baixos e estáveis, enquanto 71% rejeitam práticas de redução do conteúdo ou da qualidade sem comunicação explícita, sinalizando uma crescente penalização da shrinkflation. Num ambiente de incerteza económica, os consumidores tornaram-se mais atentos à coerência entre preço, quantidade e comunicação, privilegiando marcas que assumem aumentos de forma clara em detrimento de ajustamentos encobertos.

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Apesar da pressão sobre os orçamentos familiares, o relatório identifica um novo equilíbrio nas decisões de compra. Cerca de sete em cada dez consumidores afirmam compensar a contenção nos bens essenciais com pequenos gastos associados ao conforto emocional, revelando que o valor deixou de ser exclusivamente racional e passou a integrar uma dimensão emocional relevante para a fidelização às marcas.

A inteligência artificial surge também como um fator crescente na orientação das decisões de consumo. Um em cada quatro consumidores recorreu a ferramentas de compras baseadas em IA em 2025 e uma percentagem significativa admite fazê-lo no futuro. Ainda assim, a confiança permanece condicionada pela transparência: a maioria dos consumidores quer compreender como funcionam as recomendações e exige maior controlo sobre a utilização dos seus dados pessoais.

O estudo sublinha que a tecnologia, por si só, não garante fidelização. Embora a IA esteja a tornar as compras mais eficientes e personalizadas, mais de dois terços dos consumidores continuam a valorizar a intervenção humana em decisões mais complexas ou na resolução de problemas. Para as marcas, o desafio passa por conciliar eficiência tecnológica com proximidade, num contexto em que confiança, clareza e equidade se tornaram ativos estratégicos.

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