Portugal investe menos em IA apesar do otimismo dos executivos

Executivos portugueses mostram otimismo para 2026, mas apenas 2% das empresas investem mais de 20% do orçamento em Inteligência Artificial.

Foto de Choudhary88991 em Freepik

Nove em cada dez executivos de topo em Portugal estão otimistas quanto ao crescimento em 2026, mas apenas 2% das empresas nacionais investem mais de um quinto do orçamento em Inteligência Artificial, abaixo da média global, segundo a Forvis Mazars.

A Forvis Mazars divulgou as conclusões do seu barómetro C-Suite, que revelam um elevado nível de confiança dos líderes empresariais em Portugal, contrastando com um investimento ainda limitado em Inteligência Artificial (IA). O estudo indica que 90% dos executivos esperam bons resultados em 2026 e que sete em cada dez empresas registaram aumento dos lucros em 2025.

Apesar deste cenário positivo, o investimento estrutural em IA permanece contido. Apenas 2% das empresas portuguesas aplicam atualmente mais de 20% do orçamento nesta tecnologia, face a 15% a nível global, evidenciando um atraso relativo na adoção de soluções com impacto direto na produtividade e competitividade.

A IA surge, ainda assim, como a principal prioridade em termos de transformação tecnológica para 47% dos líderes, à frente do crescimento de receitas e das parcerias internas e externas. Menos de metade das empresas afirma, contudo, dispor de uma estratégia clara de transformação tecnológica para 2026, num contexto marcado por incerteza económica e aumento da concorrência.

O estudo aponta que a implementação da IA já está a influenciar a organização do trabalho. Três em cada cinco empresas reestruturaram equipas para integrar estas tecnologias, com 38% dos líderes a reportarem a criação de novas funções e 15% a reconhecerem substituição de postos de trabalho. Mais de metade dos executivos utiliza IA para previsões, eficiência interna, criatividade e apoio à decisão, embora persistam preocupações éticas entre a maioria dos inquiridos.

Para Sérgio Santos Pereira, Country Managing Partner da Forvis Mazars em Portugal, os dados refletem uma atitude prudente. “O horizonte de crescimento é positivo, mas o reduzido número de empresas que investem uma parte significativa do orçamento em IA mostra que ainda há um longo caminho a percorrer na transformação tecnológica”, afirma.

O barómetro C-Suite da Forvis Mazars foi realizado entre outubro e novembro de 2025, com a participação de 3.012 líderes empresariais de 40 países, incluindo 100 executivos em Portugal, maioritariamente dos setores de tecnologia, indústria, consumo, energia, infraestruturas e imobiliário.

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