Os ataques a plataformas e carteiras de criptomoedas provocaram perdas globais de 2,78 mil milhões de dólares em 2025, segundo um relatório da Finbold, baseado em dados da empresa de segurança blockchain SlowMist.
Os ataques a infraestruturas de criptomoedas resultaram em perdas globais de 2,78 mil milhões de dólares ao longo de 2025, de acordo com o 2025 Cryptocurrency Market Report, divulgado pela Finbold. A análise revela que mais de 60% do valor total roubado ocorreu no primeiro semestre do ano, refletindo fragilidades operacionais e vulnerabilidades em contratos inteligentes numa fase de forte expansão do setor.
O primeiro trimestre concentrou, por si só, cerca de 1,78 mil milhões de dólares em perdas, enquanto no quarto trimestre o impacto dos ataques abrandou de forma significativa, totalizando aproximadamente 227 milhões de dólares, o valor trimestral mais baixo do ano. Para os autores do relatório, esta evolução sugere um reforço progressivo dos mecanismos de controlo, monitorização e segurança ao longo de 2025.
O maior incidente do ano envolveu a plataforma Bybit, onde o roubo de credenciais de carteiras digitais resultou em perdas estimadas em 1,5 mil milhões de dólares, tornando-se o maior ataque registado no setor em 2025. Outros episódios relevantes incluíram falhas associadas a protocolos e contratos inteligentes, reforçando os riscos ligados ao desenho técnico e à lógica de negócio destas soluções.
Segundo Jordan Major, editor sénior da Finbold, “os maiores prejuízos surgem quando a infraestrutura cresce mais rapidamente do que as práticas de segurança”, acrescentando que a desaceleração das perdas no final do ano indica que “os controlos e a monitorização começam a produzir efeitos mensuráveis”. Já Diana Paluteder, responsável de conteúdos da plataforma, sublinha que, apesar de os ataques continuarem a representar um risco estrutural, “a redução das perdas no final de 2025 aponta para uma maior resiliência de exchanges e protocolos”.
O relatório identifica ainda uma alteração nos padrões de ataque, com os compromissos de carteiras digitais a dominarem o valor total das perdas, enquanto as explorações de contratos inteligentes se tornaram mais frequentes, embora com impactos financeiros mais reduzidos. No seu conjunto, os dados sugerem um setor ainda exposto a riscos relevantes, mas em processo de aprendizagem e adaptação após ciclos anteriores de forte volatilidade e falhas de segurança.