Quase metade dos desempregados registados em Portugal não concluiu o ensino secundário, um fator que continua a travar a reinserção profissional, apesar do mercado de trabalho apresentar níveis recorde de emprego.
A falta de qualificações continua a ser um dos principais entraves à reinserção profissional em Portugal. Em novembro de 2025, 49,8% dos desempregados registados nos centros de emprego não tinham concluído o ensino secundário, o que corresponde a cerca de 149 mil pessoas, segundo dados oficiais do mercado de trabalho analisados pela Randstad Research.
Este desajuste estrutural contrasta com a evolução globalmente positiva do emprego. No mesmo período, a população empregada ultrapassou pela primeira vez a marca dos 5,3 milhões de pessoas, enquanto a taxa de desemprego recuou para 5,7%, menos 0,9 pontos percentuais do que no mesmo mês de 2024. Os dados sugerem um mercado de trabalho dinâmico, mas incapaz de absorver uma parte significativa dos desempregados com menores níveis de escolaridade.
A clivagem torna-se mais evidente quando se observa a evolução por níveis de ensino. O desemprego entre licenciados registou uma queda mensal de 4,2%, enquanto todos os escalões de ensino básico apresentaram aumentos no número de inscritos. Esta realidade contribui para a persistência do desemprego de longa duração, que afeta 37,9% dos desempregados registados, muitos dos quais enfrentam maiores dificuldades de reconversão profissional.
Segundo Isabel Roseiro, diretora de Marketing da Randstad Portugal, “metade dos desempregados não concluiu o ensino secundário, o que limita a capacidade de resposta à escassez de talento e dificulta o acesso a empregos mais estáveis”, defendendo um reforço das políticas de qualificação e requalificação profissional.
Os dados revelam ainda que, apesar da descida do desemprego em termos globais e da subida das remunerações médias, a falta de competências básicas e técnicas continua a condicionar a mobilidade laboral e a integração em setores com maior valor acrescentado. A análise conclui que, sem um investimento consistente na elevação das qualificações, o mercado de trabalho português poderá manter níveis elevados de emprego, mas com dificuldades persistentes na inclusão de uma parte relevante da população ativa.