Barreiras no acesso à saúde agravam desigualdades em Portugal

Relatório da Nova SBE mostra que barreiras financeiras e falta de médico de família continuam a agravar desigualdades no acesso à saúde em Portugal.

Foto de Mikhail Nilov em Pexels

Um novo relatório da Nova SBE revela que dificuldades financeiras e falhas nos cuidados primários continuam a limitar o acesso à saúde, sobretudo entre os mais vulneráveis.

As barreiras no acesso a cuidados de saúde em Portugal mantêm-se acima dos níveis pré-pandemia e continuam a afetar de forma desproporcionada as populações socioeconomicamente mais vulneráveis. A conclusão consta do relatório Acesso a Cuidados de Saúde 2025, hoje apresentado pela Nova SBE, no âmbito da Cátedra BPI | Fundação “la Caixa” de Economia da Saúde.

De acordo com o estudo, 45,5% dos inquiridos reportaram pelo menos um episódio de doença em 2025, um aumento face a 2023, com destaque para o crescimento significativo entre os grupos mais jovens. Paralelamente, persiste um forte gradiente socioeconómico, com 67% dos indivíduos dos escalões mais desfavorecidos a reportarem episódios de doença, face a 39% nos escalões mais favorecidos.

O relatório indica ainda um aumento da percentagem de pessoas que, ao sentirem-se doentes, optam por não recorrer a ajuda profissional, passando de 11,26% em 2023 para 14,26% em 2025. Entre estas, a maioria recorre à automedicação, sobretudo com base em experiências anteriores, enquanto os tempos de espera e a perceção de baixa gravidade continuam a ser apontados como razões determinantes para não procurar cuidados de saúde.

As barreiras financeiras permanecem como o principal entrave ao acesso, em especial no que respeita à aquisição de medicamentos. Mais de metade dos indivíduos em situação de maior privação económica referiu não conseguir comprar toda a medicação necessária, um diferencial que se agravou nos últimos anos. Segundo os investigadores, este fenómeno evidencia que as dificuldades vão além das taxas moderadoras e refletem desigualdades estruturais persistentes.

O estudo identifica também uma redução significativa da cobertura por médico de família no Serviço Nacional de Saúde, que caiu de 91% em 2019 para 79% em 2025, com impactos mais acentuados nos grupos socioeconomicamente desfavorecidos e em regiões como o Algarve, a Grande Lisboa e o Centro Litoral. Esta evolução tem contribuído para um maior recurso ao setor privado, alterando de forma estrutural os padrões de acesso aos cuidados de saúde.

Apesar destes constrangimentos, o relatório assinala efeitos positivos da linha SNS 24, cuja utilização aumentou e contribuiu para uma gestão mais eficiente da procura, embora com desigualdades no padrão de utilização associadas ao rendimento, escolaridade e género.

O relatório foi desenvolvido por Pedro Pita Barros e Carolina Santos, no âmbito da Iniciativa para a Equidade Social, uma parceria entre a Fundação “la Caixa”, o BPI e a Nova SBE.

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