Chefias não estão preparadas para liderar trabalho remoto

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Um quarto dos profissionais em Portugal acha que o seu gestor não tem as competências necessárias para um futuro remoto de sucesso. Um estudo levado a cabo pela GoodHabitz analisou o impacto do trabalho remoto e da liderança híbrida na relação entre profissionais e chefias em Portugal e na Europa

De acordo com o estudo “A liderança híbrida em Portugal e na Europa”, desenvolvido pela plataforma de e-learning GoodHabitz, 26% dos trabalhadores portugueses sente que os seus gestores não possuem as competências necessárias para conduzir as equipas a um futuro de sucesso.

A principal razão da desconfiança deve-se ao facto de o trabalho remoto exigir um conjunto de diferentes competências por parte dos gestores, sendo que os colaboradores sentem que a chefia precisa de melhorar nas competências de comunicação (30%), liderança empática (26%), criação de espírito de equipa (23%) e liderança inspiradora (23%).

O estudo levado a cabo pela GoodHabitz, em parceria com a Markeffect, foi realizado através de inquéritos a 13.615 colaboradores em 13 países europeus, dos quais fizeram parte 1.047 pessoas da população ativa em Portugal, entre os 25 e 55 anos de diferentes funções e indústrias e em empresas de diferentes dimensões.

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Chefias devem melhorar competências de Comunicação e Liderança Empática

Segundo dados da empresa de e-learning corporativo, depois de dois anos de pandemia, quase metade dos colaboradores portugueses (47%) viram a sua situação de trabalho mudar. 20% destes mudaram do modelo presencial para trabalhar unicamente a partir de casa, enquanto 27% passaram a trabalhar em regime híbrido. Por sua vez, 75% da população ativa acredita que continuará a trabalhar (parcialmente) a partir de casa no futuro, o que indica que o trabalho remoto veio para ficar.

Tendo este cenário em mente, mais de um quarto dos colaboradores não confia no seu manager para os conduzir a um futuro remoto bem-sucedido. Porém, os resultados mostram que em Portugal este resultado é mais positivo do que no resto da Europa onde a média mostra que 34% dos colaboradores sente que o seu gestor não possui as competências necessárias para liderar a sua equipa num ambiente remoto.

Neste sentido, apenas 45% dos inquiridos em Portugal sente que os seus gestores são perfeitamente capazes de os conduzir a um futuro remoto. Além disso, a pesquisa mostra também que mais de metade dos inquiridos portugueses (51%) sente que o trabalho remoto, nos últimos dois anos, não afetou a relação que já tinham com a sua chefia, sendo que cerca de um terço (30%) indica que este período os aproximou e apenas 14% indica que a sua relação se tornou pior ou muito pior (5%) ao longo do período de trabalho (parcialmente) remoto.

Os resultados não mostram uma diferença dramática com os resultados europeus. A média europeia indica que 45% dos profissionais sente que a relação com os seus managers não mudou. Ainda assim, 20% dos colaboradores europeus sente que a sua relação com as chefias se deteriorou, enquanto 35% sente que a relação com os seus líderes melhorou ao longo dos últimos dois anos.

Todavia, os colaboradores afirmam que os líderes precisam de ganhar novas competências para gerir neste novo mundo híbrido. Neste sentido, destacaram a comunicação (30%) e liderança empática (26%) como as competências onde as chefias mais devem melhorar. Além destas, destacaram também a criação de espírito de equipa (23%), liderança inspiradora (23%), habilidades digitais (22%) e foco na saúde mental no trabalho (22%), que requerem também especial atenção. Todas estas skills podem ser facilmente ligadas a um novo modelo de liderança exigido pelo futuro do trabalho (remoto).

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“O nosso estudo mostra claramente que os colaboradores não só estão disponíveis como estão sedentos de formação e por investir no seu desenvolvimento pessoal e em competências que lhes permitam ser bem-sucedidos como líderes no futuro. Este pedido dos colaboradores, caso seja ouvido pelas empresas, poderá fazê-las crescer e permitir que se preparem, no presente, para o futuro”, afirma Pedro Monteiro, porta-voz da GoodHabitz, em Portugal.

Por fim, relativamente às competências pessoais que os colaboradores portugueses mais gostariam de atualizar tendo em vista o futuro do trabalho, estes destacam três categorias de competências: 39% gostariam de melhorar as suas competências digitais para melhor corresponderem às necessidades no trabalho híbrido; 36% gostariam de melhorar as suas competências de comunicação e idiomas; e 33% dos colaboradores em Portugal quer desenvolver as suas competências de liderança.

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