A competitividade europeia começa a mostrar sinais consistentes de recuperação, após vários anos de perda de dinamismo, segundo o European Future Readiness Index, estudo apresentado pela Roland Berger durante a reunião anual do Fórum Económico Mundial, em Davos.
O índice da consultora Roland Berger analisa a evolução da competitividade de longo prazo na União Europeia, Reino Unido, Noruega e Suíça ao longo das últimas duas décadas e identifica uma inversão de tendência em cinco das seis dimensões estruturais avaliadas. Capital humano, sustentabilidade, resiliência económica, infraestruturas e digitalização e inovação apresentam valores acima das médias históricas, sinalizando uma recuperação ainda inicial, mas mais abrangente do que em ciclos anteriores.

De acordo com a consultora, o capital humano destaca-se como um dos principais motores desta evolução, impulsionado pelo aumento do investimento público em educação, pelo crescimento do número de diplomados do ensino superior e por uma maior presença feminina em posições de liderança. A sustentabilidade também recupera terreno, acompanhando o reforço de políticas e investimentos associados à transição climática, depois de um período prolongado de retração.
A resiliência económica surge reforçada desde 2020, num contexto marcado por maior investimento em defesa e por um ajustamento gradual do endividamento empresarial. Já as infraestruturas, penalizadas nos últimos anos pela subida dos preços da energia, começam a revelar sinais de recuperação mais recentes.

Apesar destes avanços, o estudo alerta para fragilidades persistentes. A digitalização e a inovação continuam a evoluir a partir de níveis baixos, com a Europa a manter uma distância significativa face aos Estados Unidos e à China em áreas como inteligência artificial e patentes. O funcionamento das instituições é apontado como outro fator crítico, penalizado pelo aumento da dívida pública e por um enquadramento regulatório considerado excessivamente complexo.
Para Pedro Galhardas, Senior Partner e Managing Partner da Roland Berger em Portugal, os dados revelam “uma inversão da tendência negativa, embora a partir de um nível ainda insuficiente”, sublinhando que a consolidação da recuperação dependerá da capacidade de acelerar reformas e investimento. A consultora identifica como determinantes a simplificação regulatória, o reforço da autonomia financeira europeia, a aceleração da inovação e uma utilização mais estratégica dos dados industriais para impulsionar o desenvolvimento da inteligência artificial.







