A confiança dos CEOs no crescimento das receitas caiu para o nível mais baixo dos últimos cinco anos, com apenas 30% a anteciparem um aumento da faturação em 2026, segundo o Global CEO Survey 2026 da PwC.
De acordo com a 29.ª edição do Global CEO Survey da PwC, apenas três em cada dez líderes empresariais a nível global manifestam confiança no crescimento das receitas nos próximos 12 meses, um recuo significativo face aos 38% registados em 2025 e aos 56% observados em 2022. O estudo, que inquiriu 4.454 CEOs em 95 países, traça um retrato de crescente prudência num contexto marcado por incerteza geopolítica, pressão económica e dificuldades na execução da transformação digital.
A inteligência artificial surge como um dos principais fatores de divisão entre empresas. Apesar do investimento generalizado, apenas 12% dos CEOs afirmam ter obtido ganhos simultâneos de custos e receitas com a adoção da IA. Um terço reporta benefícios limitados a uma dessas dimensões, enquanto mais de metade admite não ter registado impacto financeiro relevante até ao momento. A PwC identifica assim um fosso crescente entre organizações que conseguiram escalar a IA de forma transversal e aquelas que permanecem numa fase experimental.

A capacidade de transformação tornou-se, aliás, a principal preocupação dos líderes empresariais. Cerca de 42% dos CEOs indicam recear não estar a transformar as suas organizações com rapidez suficiente para acompanhar a evolução tecnológica, um valor substancialmente superior às preocupações com inovação ou viabilidade de médio e longo prazo. Segundo o estudo, as empresas que obtêm melhores resultados com a IA são aquelas que combinaram escala com bases sólidas, como enquadramentos de Responsible AI e ambientes tecnológicos preparados para integração transversal.
O abrandamento da confiança é agravado por riscos externos crescentes. Um em cada cinco CEOs afirma estar altamente exposto a perdas financeiras associadas a tarifas comerciais, enquanto a cibersegurança emerge como uma das principais ameaças, citada por 31% dos inquiridos. Em resposta, 84% dos líderes planeiam reforçar a segurança digital como parte da sua estratégia face a riscos geopolíticos.

Apesar do cenário desafiante, a reinvenção estratégica mantém-se no radar das lideranças. Mais de 40% dos CEOs indicam que as suas empresas entraram em novos setores nos últimos cinco anos, e mais de metade planeia realizar investimentos internacionais em 2026. Os Estados Unidos continuam a ser o principal destino de investimento global, enquanto o interesse pela Índia quase duplicou face ao ano anterior.
“2026 está a configurar-se como um ano decisivo para a inteligência artificial. Um pequeno grupo de empresas já está a transformar a IA em resultados financeiros mensuráveis, enquanto muitas outras continuam presas a pilotos”, afirma Mohamed Kande, Chairman Global da PwC, sublinhando que o fosso entre líderes e retardatários tenderá a alargar-se rapidamente.







