Excesso de capacidade leva indústria do papel a apostar em IA e disciplina comercial

Estudo da Bain & Company mostra que excesso de capacidade no papel e embalagens leva empresas a apostar em IA e maior disciplina comercial para proteger margens.

Foto de Wirestock Creators em Freepik

Um estudo da Bain & Company aponta o excesso de capacidade como um problema estrutural no setor do papel e embalagens, levando as empresas a recorrer à inteligência artificial e a decisões comerciais mais rigorosas para proteger margens.

As empresas do setor do papel e embalagens estão a operar num contexto estruturalmente marcado pelo excesso de capacidade, custos voláteis e uma procura abaixo do esperado, o que está a pressionar margens e a forçar uma revisão profunda das estratégias industriais. A conclusão consta do Paper & Packaging Report da Bain & Company, divulgado esta semana.

De acordo com o estudo, a maioria das empresas ambiciona aumentar os lucros a um ritmo quatro vezes superior ao do mercado, mas apenas 7% conseguem atingir esse objetivo, evidenciando o impacto persistente do excesso de oferta. Segundo a Bain, trata-se de um problema estrutural e não conjuntural, frequentemente agravado por decisões de investimento baseadas em expectativas de crescimento que não se concretizam.

“O setor está a operar num ambiente estruturalmente com excesso de oferta e as empresas que continuam a basear-se em suposições de procura do passado enfrentam pressões crescentes”, afirma Álvaro Pires, sócio da Bain & Company, sublinhando a necessidade de uma abordagem mais rigorosa às decisões de capacidade, portefólio e posição de custos.

Foto de Senivpetro em Freepik

Para responder a este cenário, o estudo identifica uma aceleração da adoção de inteligência artificial, sobretudo na área da manutenção industrial. A utilização de IA preditiva e prescritiva permite reduzir falhas, tempos de inatividade e custos de mão de obra, com potenciais ganhos que incluem um aumento de 15% no tempo de utilização dos equipamentos e reduções de custos de manutenção entre 17% e 23%. A otimização da gestão de peças de reposição pode ainda libertar capital de giro, com reduções de inventário entre 20% e 40%.

Paralelamente, a Bain destaca a crescente importância da disciplina comercial como fator crítico para a proteção da rentabilidade. Muitas empresas continuam sem uma visão clara sobre a rentabilidade real de clientes, produtos ou canais, o que limita a capacidade de ajustar preços, eliminar descontos injustificados e concentrar esforços comerciais nas áreas com maior potencial de lucro. Segundo o estudo, uma execução comercial mais rigorosa pode permitir taxas de crescimento duas a três vezes superiores às do mercado.

O relatório conclui que, num setor intensivo em capital e sob pressão estrutural, a combinação entre decisões firmes sobre capacidade, uso pragmático da inteligência artificial e maior exigência comercial será determinante para a sustentabilidade económica das empresas nos próximos anos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor escreva o seu comentário!
Por favor coloque o seu nome aqui

6 − three =