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Gestão espontânea da informação

Paulo Veiga  Paulo Veiga
  3 min

As empresas lidam diariamente com um enorme volume informação que precisam de tratar e que é gerada por inúmeras fontes. Esta realidade provoca uma elevada procura de profissionais com competências na área da gestão de informação, cujas competências são diferentes dos tradicionais arquivistas.

O título deste artigo pode parecer bizarro,
e uma rápida pesquisa na internet remeter para sites de candidaturas
espontâneas a empregos. A verdade é que o título apresentado é acima de tudo
uma provocação, porque procura alertar para o tema da gestão documental, seus
profissionais, desafios e riscos, face às novas tecnologias.

Na sociedade atual, os negócios são cada
vez mais complexos. As empresas lidam diariamente com um enorme volume informação
que precisam de tratar e que é gerada por inúmeras fontes. Esta realidade
provoca uma elevada procura de profissionais com competências na área da gestão
de informação, cujas competências são diferentes dos tradicionais arquivistas.

O desafio atual é que estas pessoas sejam
capazes de utilizar as mais modernas técnicas e ferramentas analíticas para
suportar a tomada de decisão, garantido conformidade legal e fiscal às
organizações.

As competências analíticas destes
profissionais, assim como a sua capacidade de recolher, organizar e analisar a
informação das organizações, recebidas nos mais diversos suportes – em
particular os digitais – traduzem-se num ativo estratégico que lhes permite
inovar, desenvolver vantagens competitivas e prever novas tendências de
mercado.

Imagem de vargazs por Pixabay

A revista Forbes qualificou estes
novos profissionais da Gestão de Informação, como a profissão mais sexydo século XXI que a Sociedade da Informação e do Conhecimento fez emergir. A
falta de profissionais formados nesta área é tanta que, mesmo em Portugal, os
diversos cursos de ciências da informação, de norte a sul do país, anunciam
taxas de empregabilidade superiores a 97%.

No entanto, como em quase tudo na vida,
também nesta mudança de paradigma existem riscos e não apenas oportunidades. É
sobre os riscos que desejo falar.

A mudança de
paradigma trazida pela era digital, onde o primado documentalista e custodial (informação e documento são
uma só unidade) é posto em causa ao constatar-se que no digital a informação e
suporte constituem duas unidades, isto é: o acesso à informação não é imediato,
estando dependente de hardware e software, uma realidade que é
debatida na preservação digital, onde existem muitas interrogações.

Esta nova perspetiva – pós-custodial – que deu o mote para o
nascimento da Ciência da Informação, tem como objeto de estudo a “informação”
que resulta da ação sobre os documentos, ou seja, é de natureza social.

A partir daqui toda a arquivística é posta em causa, tal
como as suas técnicas e teorias e, logo, a formação dos profissionais.

Os desafios da profissão
tradicional de “arquivista” à luz dos desafios da transformação
digital,?aliados à falta de pessoal nos quadros das empresas detentores de
conhecimentos técnicos e específicos em matéria de arquivo, levam a que as
equipas multidisciplinares?recebam o seu saber e
experiência?adquirida no que diz respeito ao?tratamento do legado
histórico ou administrativo dos acervos documentais.

Acima que tudo, porque quando se
trata de salvaguardar as questões da?integridade, fidedignidade, confidencialidade,
etecetera, os conhecimentos destes profissionais fazem?toda a diferença.

Bem sei que atualmente negócio e
digital são sinónimos, mas grande parte do enquadramento legal e fiscal das
organizações ainda tem como primado o suporte da informação papel.

Em conclusão, para evitar uma
gestão espontânea da informação recebida e enviada pelas organizações,
geralmente potenciada pelo uso indiscriminado de sistemas eletrónicos de gestão
documental, temos de, em equipa multidisciplinar e com equilíbrio, analisar os
processos e decidir o que é conservado no suporte
original, o que pode e deve ser tratado digitalmente, garantido cumprimento de
normas legais, fiscais e históricas. Para tal, a presença de um arquivista é
fundamental, será ele o gerador de consensos e equilíbrios.


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Paulo Veiga
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