A Google está a recorrer a modelos avançados de inteligência artificial para prever cheias e inundações com vários dias de antecedência, através da plataforma Flood Hub, numa altura em que o risco de precipitação intensa continua elevado em várias regiões da Europa.
Perante a crescente frequência de fenómenos meteorológicos extremos, a Google desenvolveu o Flood Hub, uma plataforma digital que funciona como um “Google Maps das inundações”, permitindo antecipar o risco de cheias até cinco dias antes da sua ocorrência. A ferramenta cruza dados meteorológicos, modelos hidrológicos e imagens de satélite para identificar as zonas mais vulneráveis e estimar a altura da água.
De acordo com informação divulgada pela empresa, o sistema assenta em dois modelos de inteligência artificial complementares. Um modelo hidráulico analisa dados meteorológicos e o comportamento dos rios para prever quando poderá ocorrer uma inundação, enquanto um segundo modelo calcula as áreas potencialmente afetadas e a extensão da subida das águas. A combinação destas abordagens permite gerar previsões antecipadas que podem apoiar decisões preventivas de populações ribeirinhas, autarquias e serviços de proteção civil.
A plataforma recorre, entre outras fontes, a imagens de satélite do programa Copernicus, da Agência Espacial Europeia, sendo os mapas atualizados diariamente à medida que novos dados são integrados. A Google reconhece que se trata de previsões probabilísticas, mas estima que cerca de 80% das áreas sinalizadas como inundadas correspondem à realidade observada no terreno.
Atualmente, o Flood Hub cobre cerca de 80 países e monitoriza bacias hidrográficas que afetam aproximadamente 400 milhões de pessoas. Além da visualização em mapa, a plataforma permite criar alertas para zonas específicas e aceder a informação contextual relevante, reforçando a preparação das comunidades face a eventos climáticos extremos.
A aposta da Google insere-se numa tendência mais ampla de aplicação da inteligência artificial à gestão de risco climático, com soluções digitais a assumirem um papel crescente na mitigação de impactos económicos e sociais associados a cheias e inundações.







