64% das mulheres pondera mudar de emprego em 2026

Empreendedor.com Editor

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Estudo da Hays revela que 64% das mulheres pondera mudar de emprego em 2026 devido a salário, progressão e equilíbrio trabalho-vida.
Cerca de 64% das mulheres em Portugal admite ponderar mudar de emprego em 2026, pressionadas por estagnação salarial, falta de progressão e dificuldades no equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Cerca de 64% das mulheres em Portugal admite ponderar mudar de emprego em 2026, num contexto marcado por perceções de estagnação salarial, dificuldades de progressão profissional e desafios no equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Os dados constam do Guia Hays 2026, que analisa as tendências do mercado de trabalho com base em inquéritos a profissionais e empresas em Portugal.
De acordo com o estudo, embora a maioria das mulheres se concentre em posições intermédias e sénior — 33% em funções intermédias e 31% em níveis sénior — a presença feminina diminui significativamente nos níveis hierárquicos superiores. Apenas 9% ocupa funções de supervisão ou liderança de equipas, 12% cargos de gestão, 7% posições de direção e apenas 1% funções executivas ao nível de C-level.
A comparação com os homens evidencia diferenças mais acentuadas nos níveis mais elevados da hierarquia. Enquanto 1% das mulheres ocupa cargos executivos, entre os homens essa proporção sobe para 3%. Nos cargos de direção, a presença masculina também é superior, com 12% face a 7% no caso das mulheres.
As diferenças estendem-se igualmente ao nível da remuneração. Entre as mulheres, 63% declara receber até 30 mil euros brutos anuais, enquanto entre os homens essa percentagem é de cerca de 29%. Nos escalões mais elevados, apenas 2% das mulheres refere ganhar 75 mil euros ou mais, comparando com 6,7% dos homens.
Esta realidade ajuda a explicar porque 74% das profissionais considera que o salário não está alinhado com as responsabilidades que assume. Nos últimos 12 meses, 47% indica que a remuneração se manteve igual ou diminuiu, reforçando a perceção de estagnação salarial.
A transparência surge, por isso, como uma prioridade para muitas profissionais. Segundo o estudo, 88% defende maior transparência interna sobre pacotes salariais e 86% afirma sentir-se mais motivada a candidatar-se quando o salário é indicado no anúncio de emprego.
Para além da remuneração, as oportunidades de progressão e o reconhecimento profissional continuam a ser pontos críticos. Apenas 19% das mulheres declara estar satisfeita com as perspetivas de progressão na carreira, enquanto entre os homens essa percentagem sobe para 28%. Em relação aos prémios de desempenho, 25% das mulheres afirma estar satisfeita, face a 33% no universo masculino.
O estudo aponta ainda para desafios relacionados com a organização do trabalho. Cerca de 48% das mulheres afirma trabalhar regularmente fora do horário contratual e, entre estas, 52% indica que esse tempo adicional não é compensado, fator que contribui para pressões adicionais no equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Paula Baptista, Managing Director da Hays Portugal, considera que os dados revelam desafios estruturais na gestão do talento feminino. “Os factos são claros: continuamos a afastar talento feminino dos lugares onde se decide; não por falta de mérito, mas por falta de acesso. Isto não é apenas um desafio social; é um risco real para a competitividade das organizações”, afirma.
Segundo a responsável, medidas como transparência salarial, critérios de progressão mais objetivos e modelos de liderança inclusivos são fundamentais para reduzir desigualdades e reforçar a capacidade das empresas de atrair e reter talento.