6G inteligência artificial: estudo da BCG indica que redes serão decisivas para escalar a economia digital baseada em IA.
A capacidade de escalar a inteligência artificial poderá depender menos dos algoritmos e mais da infraestrutura de rede. A análise é de Eduardo Bicacro, Managing Director and Partner da Boston Consulting Group (BCG), que sustenta que a próxima geração de redes móveis — o 6G — poderá tornar-se uma condição crítica para a evolução da IA em larga escala.
“Estamos a passar de redes otimizadas para consumo de conteúdo para redes desenhadas para geração contínua de dados e decisão em tempo real”, afirma o responsável da BCG. Segundo o mesmo, as aplicações de inteligência artificial exigem “uplink significativo, latência determinística e uma arquitetura distribuída entre device, edge e cloud”, requisitos que excedem as capacidades das redes atuais.
A leitura surge no contexto do estudo
“The 6G Network Is the Future of AI”, no qual a consultora defende que a conectividade está a deixar de ser um suporte técnico para se tornar um elemento central da própria arquitetura computacional. À medida que os sistemas de IA evoluem para modelos contínuos e multimodais, capazes de operar em tempo real, a rede passa a desempenhar um papel ativo no processamento e na circulação de dados.
Os dados do estudo indicam que o impacto económico das aplicações suportadas por 5G já ultrapassou 1 bilião de dólares a nível global, podendo atingir 6 biliões até 2030 e aproximar-se dos 18 biliões até 2035. Este crescimento reflete a crescente dependência das infraestruturas de conectividade para suportar novos modelos de negócio digitais.
Neste contexto, o 6G surge não apenas como uma evolução tecnológica, mas como uma resposta a um desalinhamento estrutural: enquanto as redes atuais foram concebidas para consumo de dados, a nova geração de aplicações de IA exige produção contínua de informação a partir de sensores, dispositivos e sistemas autónomos. Esta inversão coloca pressão sobre a capacidade de uplink, a latência e a gestão distribuída da computação.
O estudo da BCG alerta que, sem esta evolução, as redes poderão tornar-se um fator limitador da própria expansão da inteligência artificial, com impactos diretos na produtividade, na inovação e na competitividade das economias. A definição de padrões tecnológicos, o acesso ao espectro e o investimento em talento são apontados como fatores críticos para garantir essa transição.
A próxima década será, assim, decisiva não apenas para o desenvolvimento da IA, mas para a construção da infraestrutura que permitirá a sua escala económica.