Retorno do investimento em IA nas empresas falha em 90% dos casos, apesar do aumento dos investimentos, revela relatório.
O retorno do investimento em IA empresas continua limitado, com 90% das organizações a não conseguirem converter os investimentos em valor económico, segundo um relatório da consultora Roland Berger.
Um
relatório da Roland Berger conclui que a grande maioria das empresas continua sem conseguir gerar retorno económico a partir dos investimentos em inteligência artificial, apesar da rápida aceleração na adoção desta tecnologia.
De acordo com o estudo “AI value gap”, baseado num inquérito a mais de 200 executivos de diferentes setores e regiões, cerca de 90% das organizações enfrentam um desfasamento significativo entre o montante investido em IA e o valor efetivamente criado.
Este fenómeno surge num contexto de crescimento contínuo do investimento. Em 2025, mais de um quarto das empresas inquiridas aplicaram mais de 5 milhões de dólares em inteligência artificial, número que deverá aumentar para 34% em 2026. Também os investimentos acima dos 50 milhões de dólares registam uma tendência de subida.
Apesar deste esforço financeiro, o relatório aponta que o principal obstáculo não está na tecnologia, mas na incapacidade das organizações em adaptar os seus modelos operacionais. “As empresas não podem simplesmente comprar a transformação em IA. Têm de a construir de forma estratégica e integrada nos seus processos”, afirma Pedro Galhardas.
Segundo a análise, muitos projetos de IA permanecem isolados, sem ligação aos sistemas centrais de dados e às operações de negócio, o que limita o seu impacto. Falhas na medição de resultados e na gestão do valor gerado contribuem igualmente para este desfasamento.
Ao mesmo tempo, a adoção de sistemas mais avançados, como agentes autónomos capazes de executar tarefas e tomar decisões, começa a ganhar expressão nas empresas, sinalizando uma transição da experimentação para aplicações mais integradas.
O relatório identifica ainda diferenças significativas no grau de maturidade das organizações, destacando que apenas uma minoria consegue tratar a inteligência artificial como uma capacidade estrutural, integrada nas operações e orientada para resultados mensuráveis.
Num cenário em que o acesso à tecnologia está cada vez mais democratizado, a capacidade de transformar investimento em valor efetivo emerge como um dos principais fatores de competitividade no mercado global.