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«A indústria pode ser um laboratório de inovação para startups»

José Mendes  José Mendes
  6 min

Hugo Gaspar explica como a inovação na indústria alimentar pode transformar fábricas em plataformas de teste para startups.
A indústria alimentar portuguesa raramente é associada ao desenvolvimento de tecnologia avançada. No entanto, alguns grupos industriais estão a assumir um papel crescente na experimentação e validação de novas soluções tecnológicas. É o caso do Grupo Lusiaves, que abriu as suas unidades industriais e agrícolas à experimentação de startups no âmbito do programa Test4Food.

Para Hugo Gaspar, membro executivo do grupo, esta abertura não representa uma mudança estratégica, mas antes a continuidade de uma cultura empresarial que sempre procurou acompanhar as melhores práticas tecnológicas a nível internacional.
“A inovação esteve sempre alinhada com o ADN do Grupo Lusiaves. Ao longo dos anos procurámos estar na vanguarda da tecnologia e das melhores práticas, tanto a nível nacional como europeu”, afirma.

Segundo o responsável, a colaboração com startups permite estabelecer uma ligação direta entre a indústria e o ecossistema de inovação, ajudando simultaneamente os empreendedores a desenvolver soluções mais robustas.
“Ao apoiar iniciativas como o Test4Food existe a oportunidade de partilharmos a nossa experiência no contexto industrial, ajudando projetos promissores a crescer de forma mais estruturada e sustentável”, explica. Ao mesmo tempo, acrescenta, esta relação permite acompanhar tendências emergentes no setor agroalimentar e identificar tecnologias que ainda não chegaram ao mercado.



Testar inovação sem comprometer a operação

A experimentação tecnológica em ambiente industrial levanta inevitavelmente desafios operacionais. Testar novas soluções numa fábrica ou numa exploração agrícola pode implicar riscos técnicos, culturais e organizacionais.

Hugo Gaspar sublinha que o grupo procura mitigar esses riscos através de um processo gradual de validação. “Os primeiros testes são normalmente realizados em ambientes controlados, fora da operação diária, para mitigar riscos desde o início. Quando uma solução demonstra robustez e o risco é baixo, avançamos gradualmente para testes mais próximos da operação real.”
A diversidade da cadeia de valor do grupo permite também testar soluções em diferentes contextos, desde unidades industriais até explorações agrícolas. “Nem todos os testes acontecem no chão de fábrica tradicional. Alguns projetos foram experimentados em contexto agrícola, onde o próprio solo se torna o espaço de teste.”

Nem todas as soluções resistem às exigências da operação real, mas essa realidade faz parte do próprio processo de inovação. “Tivemos experiências muito positivas, mas também situações em que as condições reais – como água, contacto com produtos ou exigências de robustez – evidenciaram limitações das tecnologias testadas. Para nós isso não é um fracasso, faz parte do valor do programa.”
Segundo o gestor, estas experiências ajudam frequentemente as startups a ajustar características técnicas, redefinir abordagens ou avaliar melhor a viabilidade das suas soluções.



A indústria como acelerador de maturidade tecnológica

Um dos principais objetivos do programa não é necessariamente integrar as tecnologias testadas na operação do grupo, mas acelerar o desenvolvimento das startups.
“O modelo não foi desenhado para que o Grupo Lusiaves absorvesse as tecnologias testadas ou estabelecesse de imediato uma relação comercial. O nosso foco é colocar o nosso know-how ao serviço da evolução dos projetos”, explica.
Esse apoio inclui conhecimento técnico, experiência operacional e orientação estratégica para ajudar as startups a tomar decisões críticas no desenvolvimento das suas soluções.

Na prática, o valor destes consórcios está na possibilidade de acelerar o nível de maturidade tecnológica das soluções testadas.
“Quando um empreendedor consegue testar cedo em contextos exigentes, perceber rapidamente o que funciona e o que não funciona, e ajustar o projeto com base nesses aprendizados, ganha eficácia no desenvolvimento.”
Algumas tecnologias testadas continuam a ser acompanhadas pelo grupo, sobretudo em áreas ligadas à eficiência industrial.
“Temos projetos que permaneceram no nosso radar, nomeadamente soluções relacionadas com manutenção preditiva e predição de avarias. Os pilotos correram muito bem e continuamos atentos à evolução dessas startups.”



O papel do financiamento público e os desafios burocráticos

O programa contou com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), um fator que Hugo Gaspar considera essencial para viabilizar iniciativas desta natureza.
“Estamos a falar de uma iniciativa complexa, que envolve diversos intervenientes e uma execução prolongada. Sem apoio público seria muito difícil replicar este modelo com a mesma escala.”

Ao mesmo tempo, o responsável reconhece que a execução do programa enfrentou desafios significativos, sobretudo ao nível da burocracia.
“Enfrentámos complexidade processual, períodos de incerteza na interpretação de regras e um peso burocrático significativo que, por vezes, desviou o foco do essencial: testar soluções e acelerar projetos.”

No futuro, o grupo pretende continuar a trabalhar com parceiros tecnológicos, mas através de uma abordagem mais orientada por desafios concretos.
“Hoje a nossa lógica é identificar necessidades e problemas específicos e procurar parceiros que tenham soluções alinhadas com esses desafios. Isso permite trabalhar de forma mais estruturada e eficaz.”

Apesar dessas mudanças, Hugo Gaspar acredita que a colaboração entre indústria e startups continuará a ser uma peça importante no desenvolvimento tecnológico do setor.
“Programas como este mostram que a indústria pode funcionar como uma verdadeira plataforma de inovação. Mas para gerar impacto real é fundamental reduzir o risco burocrático e manter o foco na evolução das ideias.”

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José Mendes
Jornalista e sociólogo, sou um entusiasta das relações humanas e interesso-me particularmente por questões de liderança e problemáticas organizacionais. Encontra-se desde 201...
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