Estudo da Oxylabs mostra que a web aberta enfrenta mais paywalls e registos, num movimento com impacto nos media, na investigação e na IA.
A web aberta está a tornar-se mais fechada, segundo um estudo da Oxylabs que analisou sete anos de preços em 36 plataformas digitais. O relatório aponta aumento das subscrições, mais registos obrigatórios e maior uso de paywalls.A web aberta está a ficar mais fechada à medida que plataformas digitais reforçam modelos de subscrição, registo obrigatório e acesso condicionado a conteúdos. A conclusão é de
um estudo da Oxylabs, empresa especializada em web intelligence, que analisou sete anos de dados de preços em 36 plataformas de notícias, educação e streaming.
Segundo o relatório, os preços anuais das subscrições aumentaram 17% desde 2020, enquanto cerca de 77% das plataformas analisadas mantêm hard paywalls. O estudo indica ainda que 74% das plataformas exigem registo mesmo para conteúdos apresentados como gratuitos.
A tendência é particularmente expressiva nos meios de comunicação social. De acordo com a Oxylabs, os preços das subscrições de notícias aumentaram mais rapidamente do que nas restantes categorias analisadas. O relatório refere, como exemplo, o caso do The New York Times, cuja subscrição mensal quase duplicou, passando de 18,47 dólares para 32,59 dólares.
Para
Denas Grybauskas, Chief Governance and Strategy Officer da Oxylabs, os dados refletem uma mudança estrutural mais ampla na internet. “Mais da web está a mover-se para trás de barreiras, e essas barreiras estão a ficar mais altas”, afirma o responsável. Segundo o gestor, esta evolução levanta questões sobre a forma como a informação circula, como o conhecimento se acumula e quem consegue aceder aos diferentes espaços do comum digital.
A pressão sobre a web aberta surge num contexto em que a inteligência artificial está a alterar a distribuição de tráfego online e a desafiar o modelo económico que sustentou grande parte da internet nas últimas duas décadas. A redução do acesso livre a conteúdos pode afetar não apenas os leitores, mas também investigadores, empresas tecnológicas e sistemas de IA que dependem de dados disponíveis publicamente para desenvolver novas ferramentas.
A Oxylabs sublinha que a monetização dos conteúdos é legítima, mas alerta para as consequências sistémicas de uma internet cada vez mais fragmentada entre acesso pago, registos obrigatórios e conteúdos fechados. Para empresas, media e investigadores, a questão central passa a ser quem consegue aceder a informação de qualidade, em que condições e a que custo.
O estudo foi conduzido pela equipa de investigação da Oxylabs, com base em dados públicos de plataformas digitais. A empresa afirma que recolhe apenas informação publicamente disponível, sem aceder a dados privados, pessoais ou protegidos por paywall.