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Alberto Carvalho Neto: “Queremos valorizar o bom que se faz em Portugal”

José Mendes  José Mendes
  7 min

Alberto Carvalho Neto é um dos promotores da plataforma “Nós os Pequenos Produtores”, dedicada ao apoio e valorização dos pequenos produtores nacionais.

Alberto Carvalho Neto é um dos promotores da plataforma “Nós os Pequenos Produtores”, dedicada ao apoio e valorização dos pequenos produtores nacionais estabelecendo uma ligação dos consumidores “ao que de melhor se faz em Portugal”.

O
projeto?“Nós os Pequenos Produtores”, é uma plataforma que visa aproximar os
consumidores e produtores nacionais,?apoiando a valorização da produção
nacional e o escoamento dos produtos dos micro e pequenos produtores
portugueses. A plataforma tem ainda uma componente social atribuindo 1% do
volume transacionado em doações de alimentos a associações de cariz social
parceiras.

“Estamos a
dar a conhecer novas caras ao mercado, apresentando micro e pequenos
produtores, que ainda não tinham rosto associado ao seu trabalho” destaca
Alberto Carvalho Neto, cofundador da plataforma
“Nós os Pequenos Produtores”
.
A iniciativa pretende associar a promoção de cada de produto, à história do seu
produtor,?refletindo o carinho e narrativa por trás de cada produto.

“Criamos um
site prático e estamos presentes nas redes sociais, com uma ligação muito próxima aos
consumidores, que na realidade têm sido fantásticos na interação com o projeto”,
sublinha.?“Acima de tudo, damos a conhecer produtos que não estão
tão?acessíveis, produtos de excelente qualidade, feito pelos mais pequenos
e que normalmente estão restringidos a uma área?geográfica mais reduzida
ou sem marca referenciada (caso dos legumes e?hortícolas em geral).

Embora tenha
a concorrência das grandes cadeias de distribuição Alberto Carvalho Neto
acredita que “existe muito espaço no mercado” e o seu objetivo é conseguir um
nicho para a plataforma, fidelizando consumidores e dando primazia “ao bom que
se faz em Portugal”, simplificando o processo de compra. “Com um simples clique
no nosso site, os consumidores conseguem conhecer melhor o produto e a sua
história, e apoiar o produtor diretamente, com uma entrega?rápida em sua
casa.”

caixa com produtos agrícolas (frutas, legumes, vinho, azeite, doces e mel) distribuídos pela plataforma

Fazer dos desafios oportunidades

A ideia
surgiu no inicio da pandemia, em resultado das restrições que se estavam a
fazer sentir, e com muitos produtores sem saber como escoar os seus produtos -
na maioria produtos agrícolas perecíveis - devido ao encerramentos dos supermercados,
restaurantes e feiras locais.

Essa, uma
realidade que Alberto Carvalho Neto conheceu de perto, enquanto dirigente da Associação
de Jovens Empresários Portugal-China (AJEPC). A pandemia afetou não apenas os
pequenos produtores que vendiam no mercado nacional, mas também as medias
empresas exportadoras para a União Europeia ou China.

“De um dia
para o outro ficaram sem solução. Daí nasceu este projeto, que não pretende
competir, mas sim acrescentar valor, explorar uma relação direta entre quem
produz e quem consome. Mais que uma plataforma, queremos sensibilizar o nosso
país a consumir mais produtos nacionais.”

“Em momentos
de crise, temos de nos unir, tentar olhar para os desafios como oportunidades e
lutar contra a adversidade,?arranjando soluções, testando as mesmas, pondo
em prática, não deixar ficar o conceito num rabisco de papel.?É necessário
arregaçar as mangas e transformar as ideias em projetos concretos.”

“Em momentos de crise é preciso transformar as ideias em projetos concretos”

“Nós os
Pequenos Produtores” começou com uma pequena equipa de voluntários e produtores
que se juntaram para ajudar o arranque da plataforma, juntando-se a uma equipa
especializada em marketing, para poder dar?corpo ao projeto.

“Essencialmente,
somos produtores, com realidades e produtos diferentes, mas que em comum
tivemos de arranjar soluções e alternativas para arranjar resposta às perdas de
encomendas. Trabalhamos em conjunto e partilhamos estruturas”, frisa o
cofundador da plataforma.

“A interação,
organização e apoio logístico é coordenada pela empresa BCN, que já estava muito
focada na exportação e que agora apoia a integração de mais produtores no
mercado nacional. No marketing, contamos com o apoio do CIC (Centro
Internacional de Cultura), empresa?especializada em ações de marketing e
organização de eventos, liderada por Gabriela Faria de Oliveira, cofundadora do
projeto. E, desde o início tivemos o carinho e vontade de fazer mais e melhor da
Torrestir, parceiro que se disponibilizou a rever a interação e cobertura
nacional”, explica Alberto Neto.

Ao projeto
“Nós os Pequenos Produtores” juntaram se?também associações de
solidariedade social como a Ajuda de Mãe (apoio a jovens Mães com dificuldades),
a Acreditar (apoio a luta contra o?cancro nas crianças) e mais tarde a
Semear (apoio a jovens com deficiência ou motora) além do movimento Escolhe
Portugal e a associação AJAP ( associação de jovens agricultores de Portugal)
que dinamizam a entrada de produtores na?plataforma.

“O conceito
está a evoluir bem e a interação com os?produtores está a ser muito
dinâmica, já fizemos as primeiras?exportações de produtos para
consumidores dentro da União Europeia, e queremos continuar a aproximar da
comunidade portuguesa e luso-descendente para chegar com mais impacto
nos?mercados estrangeiros”, frisa Alberto Neto, ainda que no imediato, o
objetivo seja “consolidar o projeto a nível?nacional,?solidificar a
relação entre os pequenos produtores e fidelizar os nossos consumidores.”


Investir no interior do país

Para o cofundador da plataforma “Nós os Pequenos Produtores” foi o desafio do momento e a necessidade de criar soluções que o levaram a empreender. “Existem diversos desafios, sendo que no sector agrícola começa pelas condições meteorológicas que influenciam e afetam, e são fatores que não conseguimos controlar. Temos de investir e colher mais tarde e quando estamos a falar de plantações podemos estar a falar em retornos de 10 a 15 anos”, explica Alberto Neto.

“Temos?também
o desafio da lei de trabalho, pois temos um país com uma grande tradição agrícola
e a lei?laboral não está ainda preparada para entender os esforços e
necessidades do sector. Faça?chuva, faça sol, existem trabalhos que têm de
ser feitos e outros que podem ser adiados. Tem de haver uma gestão ao dia, não
é um trabalho de escritório!”

A dificuldade
em contratar jovens para aprenderem e dar continuidade à?informação dos
mais velhos e experientes, é outro problema que afeta os produtores
portugueses, destaca Alberto Neto. “Acredito que devem ser implementadas
medidas concretas e duradouras, baseadas numa estratégia a?médio longo
prazo para incentivar a promoção do?interior do nosso país e permitir que
as pessoas voltem às suas origens, combatendo a desertificação e?êxodo rural.


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José Mendes
Jornalista e sociólogo, sou um entusiasta das relações humanas e interesso-me particularmente por questões de liderança e problemáticas organizacionais. Encontra-se desde 201...
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