Uso de IA autónoma avança apesar da falta de confiança, com 16% dos utilizadores já a delegarem decisões à tecnologia.
O uso de IA autónoma avança apesar da falta de confiança, numa tendência que está a transformar a relação entre consumidores e tecnologia. Segundo o
Relatório de Sentimento sobre IA 2026 da EY, 16% dos utilizadores em 23 mercados já recorrem a sistemas de inteligência artificial capazes de agir em seu nome, enquanto 84% afirmam utilizar IA no dia-a-dia.
O estudo, baseado em mais de 18 mil inquiridos, indica que a adoção da tecnologia está a evoluir mais rapidamente do que a confiança dos utilizadores, contrariando a ideia de que o risco percebido seria um travão à sua utilização.
De acordo com Raj Sharma, managing partner global para Crescimento e Inovação da EY, “uma minoria crescente já delega decisões à IA, enquanto muitos outros dependem da tecnologia como assistente no quotidiano”, sublinhando que esta evolução cria “tanto oportunidades como responsabilidades” para as organizações.
A mudança está a ocorrer de forma progressiva, com a IA a consolidar-se primeiro em tarefas de baixo risco, como planeamento de viagens, recomendações de conteúdo ou apoio ao cliente. Este uso recorrente está a abrir caminho para níveis mais elevados de autonomia, incluindo compras automatizadas, gestão de tarefas financeiras e interação com serviços sem intervenção humana direta.
Apesar desta evolução, persistem preocupações relevantes. Cerca de 66% dos inquiridos manifestam receios relacionados com segurança e vulnerabilidade a ataques, enquanto 73% afirmam temer perder a capacidade de distinguir conteúdos reais de conteúdos gerados por IA. Ainda assim, estas reservas não têm impedido o crescimento da adoção.
Joe Depa, diretor global de inovação da EY, afirma que “a confiança definirá os vencedores a longo prazo na economia da IA”, mas reconhece que, no presente, “a adoção está a avançar mais rápido do que a confiança”.
O relatório identifica ainda um grupo de mercados considerados “pioneiros”, incluindo China, Índia, Brasil e Emirados Árabes Unidos, onde a utilização de IA atinge 94% e a adoção de sistemas autónomos já chega a 24%. Estes mercados poderão assumir um papel desproporcional na evolução da economia digital baseada em IA.
A tendência sugere uma mudança estrutural no comportamento dos utilizadores, com a inteligência artificial a passar de ferramenta de apoio a agente ativo na tomada de decisão, antecipando impactos relevantes em setores como o comércio, os serviços e a economia digital.