Banca chamada a financiar transição energética e digital na Europa

Empreendedor.com

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Reguladores ibéricos defendem papel central da banca no financiamento da transição energética e digital na Europa.
Reguladores financeiros de Portugal e Espanha defenderam em Lisboa que a banca e os mercados de capitais terão um papel decisivo no financiamento da transição energética e digital da economia europeia.
A banca e os mercados de capitais terão um papel determinante no financiamento da transição energética e digital da economia europeia, defenderam reguladores financeiros de Portugal e Espanha durante o V Encontro Finanças Sustentáveis, promovido pelo Grupo ABANCA em Lisboa.
O debate reuniu representantes do Banco de Portugal, Banco de Espanha, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV), que analisaram o papel das instituições financeiras num contexto marcado por tensões geopolíticas, reconfiguração das cadeias de valor e aceleração tecnológica.
Um dos painéis centrais contou com a participação de Soledad Núñez, vice-governadora do Banco de Espanha, Clara Raposo, vice-governadora do Banco de Portugal, e Francisco Botas, CEO do ABANCA. A discussão centrou-se na capacidade do setor financeiro para apoiar o financiamento da chamada dupla transição — energética e digital — considerada essencial para reforçar a competitividade europeia.
Durante o debate, os responsáveis destacaram a importância de garantir estabilidade financeira e regulatória num ambiente económico cada vez mais complexo. As representantes dos bancos centrais sublinharam a necessidade de integrar de forma consistente riscos climáticos e tecnológicos nos sistemas de supervisão e de reforçar padrões comuns de informação e prudência financeira.
Francisco Botas afirmou que “não haverá crescimento verde sem crescimento económico”, defendendo que o setor bancário europeu dispõe de liquidez, solvência e capacidade para mobilizar o financiamento necessário à transformação da economia. No entanto, sublinhou que a concretização desse esforço exige avanços na União Bancária, simplificação regulatória e maior colaboração entre setor público e privado.
O papel dos mercados de capitais foi igualmente destacado como elemento central para mobilizar o volume de investimento necessário à transição energética e tecnológica. Num painel que reuniu responsáveis da CNMV e da CMVM, bem como representantes do setor de gestão de ativos, os participantes defenderam que a alavancagem de capital privado será indispensável para complementar o financiamento público.
A vice-presidente da CMVM, Inês Drumond, participou na discussão ao lado de Paloma Marín, vice-presidente da CNMV, e de Laura Román, responsável ibérica da gestora de ativos Robeco. As intervenções convergiram na ideia de que os mercados de capitais devem assumir um papel mais ativo na canalização de poupança para investimentos ligados à sustentabilidade e à transformação tecnológica.
O encontro incluiu ainda uma reflexão sobre os impactos geopolíticos na economia europeia. Judith Arnal, investigadora do Real Instituto Elcano, e Paulo Portas, CEO da Vinciamo Consulting, analisaram os riscos associados à fragmentação económica global e à necessidade de a Europa conciliar competitividade industrial com a agenda da sustentabilidade e da segurança energética.
No encerramento do encontro, Pedro Pimenta, presidente da Comissão Executiva do ABANCA Portugal, sublinhou que o conceito de finanças sustentáveis evoluiu nos últimos anos. “Quando hoje falamos de finanças sustentáveis, já não falamos apenas de critérios ESG ou de reporte regulatório, mas da capacidade do sistema financeiro financiar o futuro da economia”, afirmou.
O debate refletiu uma preocupação crescente entre reguladores e instituições financeiras sobre a necessidade de mobilizar capital para apoiar a transformação estrutural da economia europeia, num contexto de maior incerteza geopolítica e de rápida evolução tecnológica.