Choque energético agrava desaceleração da economia portuguesa
Empreendedor.com
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Apr 2, 2026
Choque energético agrava desaceleração da economia portuguesa e pressiona empresas e consumo, segundo barómetro CIP/ISEG.
A economia portuguesa enfrenta uma nova pressão com a subida dos preços da energia, num contexto de desaceleração já em curso desde o final de 2025, segundo o mais recente barómetro da CIP/ISEG.
De acordo com o Barómetro de Conjuntura Económica da CIP – Confederação Empresarial de Portugal e do ISEG, divulgado em março de 2026, o impacto do conflito no Golfo Pérsico deverá refletir-se já no primeiro trimestre, com efeitos prolongados nos meses seguintes. O aumento das cotações do petróleo e do gás natural tende a repercutir-se nos custos das empresas, sobretudo nos setores mais dependentes de energia, podendo inverter a trajetória de descida da inflação observada no segundo semestre de 2025.
Segundo Rafael Alves Rocha, diretor-geral da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, “o choque no preço dos produtos energéticos deverá condicionar o crescimento do consumo privado em Portugal e o desempenho do setor exportador”. O responsável sublinha que este novo fator de pressão surge num contexto de “desaceleração relevante da atividade económica face ao ano anterior”, tendência identificada pelo indicador coincidente CIP/ISEG desde novembro de 2025.
O impacto externo soma-se aos efeitos internos das tempestades e cheias registadas entre janeiro e fevereiro, que afetaram a capacidade produtiva de várias empresas, em particular na Região Centro. Apesar de uma ligeira recuperação dos indicadores de confiança em fevereiro, impulsionada pelos setores dos serviços e da indústria transformadora, o indicador de confiança dos consumidores manteve uma evolução negativa.
A CIP alerta ainda para o risco de agravamento das condições financeiras, caso o Banco Central Europeu venha a subir as taxas de juro em resposta a novas pressões inflacionistas. “A inversão da trajetória descendente da inflação será muito penalizadora, tanto para as famílias, como para a atividade das empresas”, afirma Rafael Alves Rocha.
Perante este cenário, a confederação empresarial defende a necessidade de apoios urgentes às empresas mais expostas ao aumento dos custos energéticos, alertando que, em alguns casos, a manutenção dos preços atuais pode comprometer a viabilidade económica.
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