Choque geopolítico lança dúvidas sobre contratações em 2026

Empreendedor.com Editor

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Perspetivas de contratação em Portugal eram positivas no início de 2026, mas o choque geopolítico no Médio Oriente introduz nova incerteza económica.
O choque geopolítico no Médio Oriente introduz incerteza sobre as perspetivas de contratação em Portugal, que no início do ano apontavam para um crescimento do emprego no segundo trimestre.
O agravamento das tensões no Médio Oriente introduziu um novo fator de incerteza sobre as perspetivas de contratação das empresas portuguesas em 2026. No início do ano, antes da atual instabilidade geopolítica, os empregadores antecipavam um segundo trimestre marcado por um reforço das equipas.
Segundo o ManpowerGroup Employment Outlook Survey, estudo trimestral conduzido pela empresa global de soluções de talento ManpowerGroup, a projeção líquida de criação de emprego em Portugal situava-se nos +29% para o segundo trimestre de 2026. O valor representava uma subida de oito pontos percentuais face ao primeiro trimestre e de dez pontos face ao período homólogo de 2025.
O estudo baseia-se em entrevistas realizadas a 520 empregadores em Portugal durante o mês de janeiro, pelo que não incorpora ainda o impacto do atual contexto geopolítico nem outros acontecimentos que marcaram o início do ano.
Segundo Rui Teixeira, Country Manager do ManpowerGroup Portugal, o cenário económico até então refletia um nível elevado de confiança por parte das empresas. “Partindo de uma análise pré-conflito, os empregadores portugueses entravam no segundo trimestre do ano mais confiantes nas suas intenções de contratação”, afirma.
Entre as empresas que previam aumentar as equipas, 44% indicavam o crescimento da atividade como principal motivo para contratar, enquanto 27% referiam a necessidade de preencher vagas abertas no trimestre anterior. Outros 20% procuravam ainda colmatar posições que permaneciam por ocupar há vários trimestres, sinalizando a persistência da escassez de talento em diferentes setores da economia.
A análise setorial revela níveis particularmente elevados de otimismo na Construção e Imobiliário, com uma projeção de criação líquida de emprego de +46%, seguida do Comércio e Logística (+34%) e da Hotelaria e Restauração (+33%). O setor Industrial apresentava igualmente perspetivas robustas, com +31%, enquanto Tecnologia e Serviços de Informação registavam +20%.
Do ponto de vista regional, a Região Centro liderava as expectativas de contratação com +37%, seguida da Região Norte (+32%) e do Grande Porto (+31%), enquanto Lisboa apresentava projeções mais moderadas.
A nível global, a projeção líquida de emprego situava-se nos +31%, colocando Portugal ligeiramente abaixo da média internacional, mas ainda entre os países com expectativas positivas de contratação.