Empreendedor.comNum setor onde o software sustenta praticamente todas as operações, a verdadeira segurança começa com um conhecimento profundo do ecossistema de TI
Andrii Paramonov, líder da equipa de software de aviação da Sigma Software Group, analisa as principais vulnerabilidades tecnológicas que afetam o setor. Neste artigo, explora casos reais de ciberataques a companhias aéreas, identifica padrões de falhas comuns e apresenta boas práticas para reforçar a cibersegurança num setor crítico e altamente digitalizado.
Nos últimos anos, vários incidentes graves de cibersegurança em companhias aéreas levantaram uma questão essencial: são casos isolados ou indícios de um problema sistémico? Os exemplos seguintes ajudam a perceber os riscos comuns e as suas causas principais.

Em março de 2021, a Air India sofreu uma falha de segurança devido a vulnerabilidades no seu fornecedor de serviços de passageiros (PSS), a empresa SITA. Os atacantes acederam a dados pessoais de 4,5 milhões de passageiros, incluindo nomes, números de passaporte e detalhes de voos. Este incidente evidenciou os riscos associados a prestadores externos e a necessidade de protocolos de segurança mais robustos.
Em maio de 2020, a EasyJet revelou uma violacão que afetou 9 milhões de clientes. Os hackers acederam a emails e dados de viagens, explorando possivelmente falhas em APIs ou software desatualizado. Para além de investigações regulatórias, a empresa enfrentou custos legais e foi forçada a reforçar a sua cibersegurança.

Em 2018, a Cathay Pacific foi alvo de um ataque que permaneceu ativo durante quatro anos sem ser detetado. Os invasores exploraram sistemas legados e falhas na segmentação da rede, comprometendo os dados de 9,4 milhões de passageiros. O caso levou a multas elevadas e pressionou a empresa a acelerar a sua transformação digital.
Em agosto de 2018, a British Airways foi alvo de um ataque Magecart, onde código malicioso foi injetado na página de pagamentos online. Os hackers acederam a dados bancários de 380 mil clientes. Este ataque resultou numa multa de 20 milhões de libras ao abrigo do RGPD e levou a uma reestruturação profunda das práticas de segurança da companhia.
Muitas companhias aéreas enfrentam dificuldades em manter os seus sistemas atualizados. A integração de múltiplos componentes externos aumenta a complexidade da infraestrutura, tornando mais difícil aplicar atualizações e patches em tempo útil. A dependência de sistemas legados é uma constante nestes incidentes, criando exposições críticas a ataques.

A manutenção contínua e uma abordagem proativa são essenciais para proteger ecossistemas de TI complexos. Estas são algumas práticas recomendadas baseadas na experiência do setor:
Estas medidas oferecem uma abordagem abrangente e eficaz para mitigar riscos antes que se transformem em ameaças reais.

Num setor onde o software sustenta praticamente todas as operações, a verdadeira segurança começa com um conhecimento profundo do ecossistema de TI. Os incidentes de alto perfil demonstram como sistemas desatualizados e dependências negligenciadas criam vulnerabilidades significativas. Com uma visão clara da infraestrutura, é possível agir proativamente e implementar medidas de segurança eficazes para proteger as operações críticas.