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CV: não estraguem a vossa foto de perfil profissional

Jorge Andrês Correia  Jorge Andrês Correia
  4 min

Numa Era em que as redes sociais dominam o quotidiano da maioria das pessoas, sendo utilizadas de forma massiva e onde nelas se passam diversas horas, custa ver a parca dedicação que os candidatos a vagas de emprego colocam nos processos, essencialmente em áreas criativas como comunicação e marketing. Se a nossa foto de perfil em redes como o Facebook é tão pensada e trabalhada, porque continuamos a descurar o nosso CV, ou seja, a nossa foto de perfil profissional?

Tendo alguma experiência em algumas áreas relacionadas com marketing e empresas de produtos e serviços diferentes, e havendo uma sinergia entre Recursos Humanos e Comunicação & Marketing, é impressionante, chocante e até mesmo absurdo ver currículos de candidatos a diversas vagas que se querem diferenciar, mas que se definem como tantos outros, seguindo guidelines obsoletas e copiando o que existe, julgando-se, mesmo assim, únicos.

[caption id="attachment_6066" align="alignleft" width="300"] Foto: Pixabay[/caption]

A consequência maior será sempre não ter oportunidade para poder ir a uma entrevista ou ser riscado de processos de recrutamento na empresa para a qual se candidatou devido a alguns dos problemas. Registo aqui os mais notórios, que fui apontando ao longo do tempo e que, na minha opinião, são pecados capitais para profissionais da área e que querem crescer e mostrar as suas capacidades:

- Erros ortográficos: ninguém é obrigado a saber por completo as regras gramaticais, palavras, frases ou até a alteração errónea para o acordo ortográfico. No entanto, fazer um CV com erros ortográficos é pedir que o rasguem automaticamente. Não há desculpa para a falta de rigor, quando se pode verificar várias vezes o conteúdo com editores de texto – disponíveis online – ou pedindo ajuda a amigos ou familiares para uma revisão ou avaliação de várias versões do documento.

- Europass ou templates “originais”: Ainda há quem peça o formato europass, é verdade. Nada contra. Mas para quem quer ser diferente, disruptivo e vingar em áreas onde se cria algo do zero ou se quer ser único, demonstra uma falta de vontade e de paixão pela empresa ou projeto quando se utiliza o formato europeu curricular ou templates que se encontram a vaguear pela internet. É preferível criar algo próprio, esteja essa criação relativamente melhor ou pior em termos de design, mas sendo do candidato, sempre direcionado para a vaga em questão e com as capacidades evidenciadas de forma pessoal e singular.

- Fotos pouco profissionais: Pouco se pode dizer neste assunto. Cada um sabe se será melhor a utilização de uma fotografia no seu currículo. Eu aconselho que o façam, até para haver uma lembrança do recrutador na entrevista, por exemplo. No entanto, é impressionante o excesso de fotos colocadas no currículo, que provêm do Facebook ou Instagram, entre selfies, fotos em jantares, com um braço cortado ou desfocadas. Pelo menos esta parte, há a capacidade de decisão: não usar ou usar e usar bem, tendo toda a gente acesso a um smartphone para ajudar nesse passo.

- Uma metralhadora de spam: Uma das que mais se repara. Na procura de emprego, caso sejam desempregados, pode haver algum desespero, que é natural. Pode tornar-se arrevesado tentar haver clarividência para enviar candidaturas para locais onde queremos mesmo trabalhar. Assim, nota-se que o currículo é igual para todas as vagas, os emails são sempre os mesmos, as pessoas não sabem nada da empresa, não veem o site, as redes sociais, não procuram no LinkedIn os colaboradores.

É um trabalho de bastidores que nos fará brilhar numa entrevista e aumentar as hipóteses de ficarmos com o lugar que almejamos. Com tanta informação, só é cego quem quer. Personalizar o email e o currículo com as capacidades que são procuradas na descrição da oportunidade e a criação de uma carta de motivações, sincera e baseada na pesquisa, será um fator de diferenciação. Problema? Demora tempo, é trabalhoso. Sempre ouvi dizer que “procurar trabalho dá trabalho”. Mas se formos bons a procurar trabalho iremos ser bons a trabalhar.

Assim, faz sentido utilizar o tempo, os dias e a nossa dedicação total quando nos candidatamos. Temos de pensar nessas candidaturas como o facto de estarmos a planear o nosso futuro, a nossa vida, o nosso tempo, o nosso dinheiro e não pode ser feito com ligeireza e de forma bacoca. É preciso errar várias vezes para encontrar a melhor solução e não desistir, estagnar ou perder o foco e a fé em nós próprios. Sempre!


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Jorge Andrês Correia
Apaixonado pela idiossincrasia da comunicação, trabalha na área de marketing e é árbitro federado. Com passagens por Espanha e República Checa, é em Portugal que se sente be...
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