Luciano Weber defende a tomada de decisão empresarial rápida e próxima do cliente como fator crítico para evitar paralisia e ganhar mercado.
Luciano Weber, CEO da Device, defende que a proximidade com o cliente e a rapidez na decisão continuam a ser determinantes para gerar valor. Em entrevista conduzida por Bruno Perin para o Empreendedor, o gestor sustenta que a cultura de excesso de análise está a travar a execução nas empresas.
Com mais de duas décadas de experiência em liderança, Luciano Weber construiu a sua abordagem assente numa lógica de ação e proximidade. À frente da Device, o CEO assume uma posição clara: mais do que acumular informação, importa decidir com base em conhecimento direto do mercado e corrigir rapidamente quando necessário.
Proximidade como fonte de decisão
Para Luciano Weber, a tomada de decisão não se esgota nos dados estruturados. O contacto direto com clientes desempenha um papel central na leitura do negócio. “A maior parte das minhas decisões vem de feeling. E isto só funciona porque estou sempre próximo do cliente para ter essa perceção. Não é intuição vazia é intuição alimentada por conversas reais”, afirma.
Esta abordagem, segundo explica, não dispensa a análise quantitativa, mas complementa-a com informação qualitativa que dificilmente surge em relatórios. O gestor sublinha que muitos sinais relevantes estão fora dos dashboards, surgindo em interações diretas e contextos informais.
Entre debate e execução
No plano estratégico, Luciano Weber distingue claramente duas fases: discussão e decisão. O processo pode envolver diferentes perspetivas, mas a execução exige clareza e liderança. “Preciso de ter muita convicção. Discuto muito, analiso, essa provocação é ampla. Mas depois de decidir, consigo seguir”, refere.
O CEO da Device valoriza o contacto presencial com as equipas como fator de alinhamento. “Gosto de estar olhos nos olhos com os líderes, entender as dores, para saber como vender as estratégias. A relação de confiança é fundamental sou mais old school nisso”, acrescenta.
A confiança, neste contexto, surge como elemento-chave para transformar decisões em ação, reduzindo a necessidade de validações sucessivas que atrasam a implementação.
O custo da indecisão
Entre os principais desafios identificados, Luciano Weber aponta a crescente aversão ao risco nas organizações. Para o gestor, o excesso de cautela traduz-se frequentemente em paralisia. “Falta coragem. Hoje fazem reunião para marcar outra reunião, ninguém se expõe mais, não querem correr risco”, observa.
Na sua perspetiva, o custo de não decidir pode superar o impacto de uma decisão errada. “É preferível tomar uma decisão equivocada a tempo que se possa corrigir do que nenhuma”, defende.
Esta lógica coloca a velocidade como variável estratégica, sobretudo em mercados competitivos onde a capacidade de adaptação é determinante para captar oportunidades.
Cultura de ação como vantagem competitiva
A leitura de Luciano Weber converge numa ideia central: a agilidade não resulta de metodologias, mas de cultura organizacional. Mais do que ferramentas de gestão, o que diferencia as empresas é a capacidade de assumir risco e executar com consistência.
O gestor alerta ainda para os limites do distanciamento nas relações profissionais, sobretudo num contexto de trabalho remoto. A ausência de interação direta pode comprometer a transmissão de conhecimento e o alinhamento estratégico, fatores essenciais para sustentar o crescimento.
A reflexão final sintetiza o dilema colocado às lideranças: “A sua empresa está a perder mercado porque toma decisões erradas... ou porque não toma decisão nenhuma?”