Lucas Vanzin explica como decisões estratégicas em crescimento empresarial evitam destruição de valor e permitem escalar com consistência.
Lucas Vanzin, CEO e cofundador da EVEO, explica como a obsessão pela velocidade pode destruir valor e comprometer a escala. Em entrevista conduzida por Bruno Perin para o Empreendedor, o gestor defende decisões informadas, foco nas equipas e reinvenção contínua como pilares de crescimento sustentável.
Lucas Vanzin lidera a EVEO numa fase crítica de crescimento, marcada por decisões estruturais que definem o futuro da empresa. O percurso do executivo reflete uma transição clara: da intuição para a análise baseada em dados. Segundo o próprio, esta mudança tornou-se inevitável à medida que a organização ganhou escala e complexidade.
Entre velocidade e rigor: o dilema das decisões críticas
A pressão para decidir rapidamente é uma constante nas equipas de liderança. No entanto, Lucas Vanzin defende uma abordagem mais ponderada quando estão em causa decisões estruturais. “Depende muito da fase. Hoje dependo muito de dados e levo o tempo que for necessário. Preciso de analisar bem o que pode acontecer se correr mal e se há como ajustar”, afirma.
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CEO da EVEO reconhece que, em fases iniciais, a intuição desempenha um papel mais relevante. Ainda assim, à medida que a empresa cresce, o risco associado a decisões mal fundamentadas aumenta. “Prefiro ter a certeza da decisão e até, às vezes, perder o timing”, acrescenta.
Esta lógica foi particularmente evidente em momentos de captação de investimento. Em vez de privilegiar propostas financeiras mais elevadas, o gestor optou por avaliar o impacto estratégico de cada parceiro. A decisão, segundo explica, não se limita ao capital disponível, mas às opções que ficam abertas — ou fechadas — no futuro.
Cortar custos ou comprometer a execução
Outro dos temas centrais da entrevista prende-se com a gestão de custos. Para Lucas Vanzin, muitos líderes cometem um erro recorrente ao confundir eficiência com redução cega de despesas. “É preciso saber onde se economiza e onde se acha que se economiza. As equipas são fundamentais”, sublinha.
Na prática, decisões de corte podem comprometer a capacidade de execução. “Em teoria, dá para cortar custos, mas muitas vezes acaba-se por assumir demasiadas coisas e depois não há estrutura para crescer”, alerta.
O impacto destas decisões é frequentemente invisível no curto prazo, mas torna-se crítico em fases de expansão. Ao eliminar recursos-chave, a organização pode transferir responsabilidades para níveis de gestão que deveriam estar focados na estratégia, criando bloqueios operacionais e atrasando o crescimento.
Reinvenção como competência estratégica
Num contexto marcado pela aceleração tecnológica, Lucas Vanzin identifica a capacidade de adaptação como a principal competência de liderança. “A capacidade de se reinventar. Em janeiro pode estar bem, mas em dezembro já teve de se tornar noutra pessoa para crescer”, afirma.
A EVEO atravessa atualmente uma transição estrutural: de uma lógica centrada na execução para um modelo orientado por processos. Esta mudança exige uma transformação no papel da liderança, que deixa de resolver problemas diretamente para criar sistemas que permitam escalar.
“Estamos no desafio de criar processos, porque antes era executar, agora precisamos de ajustar processos para escalar”, explica o CEO.
Crescer não é escalar
Ao longo da entrevista, emerge uma distinção clara entre crescimento e escala. Para Lucas Vanzin, muitas empresas confundem expansão rápida com sustentabilidade operacional. A diferença reside na capacidade de estruturar decisões e antecipar consequências.
Neste contexto, o executivo defende uma abordagem disciplinada à tomada de decisão, baseada na análise de impacto e na reversibilidade das escolhas. Mais do que responder a problemas imediatos, trata-se de construir opções futuras.
A reflexão final resume o desafio colocado aos líderes: “Está a construir uma empresa que escala ou apenas uma que cresce até implodir?”