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EIT Health alerta para a falta de know-how e infraestruturas na telemedicina em Portugal

Empreendedor.com  Empreendedor.com
  8 min

O EIT Health Think Tank acaba de publicar o seu mais recente relatório “Otimizar os caminhos da inovação no campo da saúde em Portugal”, com foco especial na telemedicina

O EIT Health Think Tank acaba de publicar o seu mais recente
relatório “Otimizar os caminhos da inovação no campo da saúde em Portugal”, com
foco especial na telemedicina. Este é o primeiro relatório deste tipo elaborado
pelo EIT Health sobre o mercado português. Baseia-se nas conclusões da Mesa Redonda
do EIT Health Think Tank, com a participação dos principais stakeholders na
área da saúde, que se realizou em Lisboa, na sede da Glintt, este outono.

O mais recente relatório do EIT Health Think Tank, um fórum
europeu para especialistas e líderes que influenciam o futuro dos cuidados de
saúde, resume as principais conclusões da mesa redonda sobre o estado português
da telemedicina, o seu possível processo de otimização e recomendações passíveis
de serem implementadas.

O relatório reúne as reflexões de mais de vinte
especialistas - representantes da indústria, associações de doentes,
reguladores, para além da EIT Health, que participaram na mesa redonda que decorreu
este outono, em Lisboa, na sede da Glintt, uma multinacional especializada em
tecnologia para o mercado da saúde.

Imagem de Chokniti Khongchum por Pixabay

Com vinte anos de prática em telemedicina, Portugal enfrenta
atualmente alguns desafios em relação a um maior desenvolvimento neste campo.
Embora 87% dos hospitais públicos recorram à telemedicina - de acordo com uma
pesquisa de 2019 publicada pela Glintt, Global Intelligent Technologies -
apenas 44% dos profissionais de saúde estão motivados para a sua utilização.
Além disso, como a pesquisa revela, ainda há uma visível falta de know-how e
infraestruturas de TI adequadas nesta valência.

No entanto, 64% dos consumidores afirmam que é conveniente
ter acesso à saúde virtual. Isto permite definir uma clara tendência em direção
ao desenvolvimento e adoção de soluções digitais de saúde. Portugal encontra-se
numa situação privilegiada devido à ampla e ativa comunidade de inovação e
interesse de novos talentos. Por exemplo, as startups e investigadores portugueses
são um dos mais ativos nos programas europeus de educação e aceleração realizados
pelo EIT Health.

?“O número de startups
e empresários portugueses que participam nos nossos programas de aceleração e
educação europeus aumenta ano após ano. São geralmente muito competitivos,
ocupam lugares de topo e criam soluções de saúde realmente revolucionárias que
estão a ser reconhecidas a nível pan-europeu. Apenas para mencionar alguns: stents
biodegradáveis, inteligência artificial para identificação precoce de sinais de
doenças neurodegenerativas ou aplicativos médicos que ajudam a gerir as doenças
de uma forma mais prática, simplificando o atendimento domiciliar. Em muitos
casos, esses são produtos prontos a consumir e exemplos de inovações orientadas
para as necessidades detetadas. A questão principal ainda está no processo de
adoção destas novas tecnologias no mercado, incluindo o sistema público de
saúde”, afirmou Nuno Viegas, Business Creation & Manager Regional da EIT
Health InnoStars.

Um relatório recente da Deloitte (Global Health Care Outlook
de 2019) revelou que 64% dos consumidores assumem um forte interesse em
soluções de telemedicina que lhes permitem gerir a sua saúde remotamente. Como
é que Portugal pode melhorar, desenvolver e adotar soluções inovadoras em
saúde? As recomendações apresentadas no relatório regional do EIT Health Think
Tank referem-se a todas as etapas do processo de inovação: das ideias iniciais,
à fase de concretização na entrada no mercado e da adoção da solução.

"Atualmente, vivemos num mundo digital, onde todos dependem da tecnologia. Temos que mudar essa atitude para o setor de saúde."

“Atualmente, vivemos num mundo digital, onde todos dependem
da tecnologia. Temos que mudar essa atitude para o setor de saúde. Precisamos
esclarecer as necessidades e os resultados dos cidadãos de forma a podermos criar
melhores caminhos de inovação com a ajuda do conhecimento científico atual”, referiu
Filipa Fixe, membro do Conselho Executivo da Glintt, durante a mesa-redonda.

Entre as recomendações, o relatório indica a necessidade de
desenvolvimento de uma abordagem mais integrada dos cuidados prestados aos
cidadãos - é necessário criar um ecossistema que permita juntar as partes
interessadas, organizações e instituições mais inovadoras, no sentido de trabalharem
em conjunto em objetivos concretos, de forma a procurarem produtos e soluções
médicas sustentáveis.

Nas fases iniciais do caminho, várias são as barreiras com
que os investigadores se deparam no acesso a pessoas com poder de decisão e a locais
de prestação de cuidados de saúde necessárias para ensaios clínicos, que é um
primeiro componente crucial para qualquer solução de telemedicina em saúde.
Associado a isso, é necessário facilitar acesso aos pacientes que possam vir a
utilizar a solução em desenvolvimento, permitindo que a necessidade real do
paciente seja avaliada e, dependendo da solução, permitir que a mesmo possa ser
codesenvolvida com os potenciais utilizadores.

O relatório aponta também para uma lacuna em relação à saúde
e à literacia digital em saúde entre cidadãos e cuidadores. Os especialistas
indicaram a necessidade de aumentar a consciencialização sobre o processo de
inovação, incrementando as capacidades técnicas através de formação, educação, programas
de certificação dirigidos não apenas a estudantes, mas também a profissionais, locais
de transferência de tecnologia e reguladores.

?“Na EIT Health,
promovemos uma educação inovadora e abrangente que procura envolver
profissionais na área da saúde, estudantes, paciente e cidadãos. O objetivo é
aumentar a literacia na área da saúde em novas tecnologias e permitir uma
melhor comunicação entre os vários grupos durante o desenvolvimento de uma nova
solução ou produto na área da saúde. Com isso, esperamos induzir otimizações significativas
na área da saúde para benefício dos cidadãos e contribuir para aumentar a
prevenção de doenças, melhorar a qualidade de vida na Europa, reduzir custos e
facilitar o tratamento de doenças crónicas. Organizamos anualmente cerca de 50
programas e formações diferentes, para estudantes, empreendedores, executivos e
profissionais, além de cidadãos”, acrescentou Nuno Viegas, Diretor do EIT
Health em Portugal.

"Ainda nos encontramos a medir e a avaliar os cuidados de saúde de acordo com indicadores desadequados e demasiado tradicionais"

Existe ainda uma forte necessidade relativamente à otimização da avaliação das tecnologias em saúde. “Ainda nos encontramos a medir e a avaliar os cuidados de saúde de acordo com indicadores desadequados e demasiado tradicionais, é necessário alterar este padrão, não só a nível regional, como também europeu. Colocar o foco nas inovações em fase inicial e financiá-las é a chave”, sublinhou David Magboule, fundador do LabToMarket durante a discussão da mesa redonda.

Os especialistas destacam que é necessário um foco no
desenvolvimento de inovações que procurem resolver um problema de saúde ou para
o qual os mercados ainda não disponham de uma solução imediata. Isto requer o
envolvimento precoce de consumidores, pacientes e hospitais no processo de
criação de novas soluções e no levantamento das suas necessidades e pontos de
vista. Para além disso, é necessário trabalhar em conjunto com governos e
autoridades reguladoras de forma a facilitar o processo de inovação e a criação
de novos produtos de saúde. Isso não se aplica apenas ao sistema de saúde
português, mas a todo o sistema europeu, que terá que se adaptar às novas
tecnologias e implementar o recurso a serviços como a telemedicina, além de
favorecer o processo de implementação e licença de novas tecnologias.

Os relatórios regionais de Portugal e de outros 6 países -
Espanha, Alemanha, Suécia, Reino Unido, França e Bélgica - serão discutidos no
início de 2020 durante uma mesa-redonda da UE organizada pelo EIT Health Think
Tank, com o objetivo de criar recomendações gerais para a Comissão Europeia.

A EIT Health é uma rede de mais de 140 parceiros, composta
por universidades, centros de pesquisa, hospitais, municípios, prestadores de
serviços de saúde, incubadoras de empresas e indústria. Desde a sua criação, a
EIT Health contribuiu para o lançamento de mais de 35 produtos no mercado,
apoiou mais de 400 startups e formou mais de 11.000 profissionais de saúde.


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