Emprego atinge máximos, mas qualificação preocupa

Empreendedor.com Editor

  2 min
O mercado de trabalho Portugal 4T 2025 fechou com máximos históricos de emprego e atividade, mas quase 30% dos trabalhadores têm baixo nível de qualificação.
O mercado de trabalho Portugal 4T 2025 encerrou o ano com novos máximos históricos, mas evidencia desafios estruturais ao nível das qualificações. Segundo dados do Inquérito ao Emprego do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados pela Randstad Research, a população ativa atingiu 5,67 milhões de pessoas, o valor mais elevado da série histórica, enquanto o número de empregados subiu para 5,34 milhões.
A taxa de desemprego manteve-se nos 5,8%, ligeiramente abaixo da média da União Europeia (6%), refletindo uma descida homóloga de 11,4% no número de desempregados. Ainda assim, o desemprego jovem agravou-se para 19,8% no último trimestre de 2025.
Apesar dos máximos no emprego, a estrutura das qualificações levanta preocupações. Cerca de 29,2% das pessoas empregadas em Portugal têm baixo nível de qualificação, uma proporção que duplica a média da União Europeia. Em contraste, 35,8% da população ativa possui ensino superior, grupo que regista a taxa de atividade mais elevada (83,8%).
“Os dados confirmam a resiliência do mercado de trabalho português, que atinge máximos históricos na atividade e no emprego e apresenta uma taxa de desemprego inferior à média europeia. No entanto, enfrentamos o desafio da polarização: mantemos uma base de baixas qualificações muito superior à da UE”, afirma Isabel Roseiro, Diretora de Marketing da Randstad.
O teletrabalho voltou a crescer no quarto trimestre, abrangendo 1,13 milhões de pessoas, o equivalente a 21,2% da população empregada. O regime híbrido consolidou-se como modelo predominante, com maior incidência na Grande Lisboa e na Península de Setúbal.
No plano empresarial, 2025 registou a constituição de 50.263 novas empresas em Portugal, com a Construção a liderar a criação de negócios. No entanto, o Comércio e reparação de veículos concentrou o maior número de dissoluções.
Num contexto de emprego recorde, os dados sugerem que a convergência de competências e o aumento da qualificação da força de trabalho serão determinantes para sustentar ganhos de produtividade e competitividade em 2026.