Emprego cai em janeiro pela primeira vez desde 2021, mas desemprego recua 9,8% face ao ano anterior e taxa mantém-se nos 5,6%.
O emprego recuou em janeiro pela primeira vez desde 2021, refletindo um abrandamento após a forte dinâmica registada no final de 2025. Ainda assim, o mercado de trabalho português mantém sinais de robustez, com o desemprego a cair 9,8% face ao mesmo mês do ano anterior.
Segundo a análise mensal da
Randstad Portugal, baseada em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a população empregada fixou-se em 5.301.300 pessoas, menos 14.400 trabalhadores do que em dezembro (-0,3%). Em termos homólogos, no entanto, o número de empregados aumentou em 135.300 pessoas (+2,6%).
A taxa de desemprego manteve-se nos 5,6%, o que representa uma descida de 0,7 pontos percentuais face a janeiro de 2025. O número total de desempregados estimado pelo INE situou-se nas 315.000 pessoas.
A subida mensal do desemprego verificou-se sobretudo entre os homens (+900 pessoas) e na faixa etária dos 25 aos 74 anos (+1.100 pessoas). Em contrapartida, o desemprego jovem registou uma ligeira redução de 0,1%.
De acordo com os dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), o desemprego registado aumentou em janeiro em todas as regiões do país, com destaque para Lisboa (+4.051 pessoas), Norte (+2.497) e Centro (+2.023). Apesar desta subida mensal, a comparação anual revela uma redução do desemprego em todas as regiões, mais acentuada no Norte e na Área Metropolitana de Lisboa.
Segundo Isabel Roseiro, Diretora de Marketing da Randstad Portugal, o início do ano reflete sobretudo um efeito sazonal após o período festivo. “O arranque de 2026 reflete um reajuste natural do mercado após a forte dinâmica do final do ano passado, com uma correção expectável, sobretudo no setor dos serviços”, afirma.
De facto, a análise da Randstad Research aponta que o aumento mensal do desemprego registado se concentrou essencialmente no setor terciário, responsável por 95% dos novos desempregados. As maiores quebras verificaram-se nas atividades de alojamento e restauração, comércio e serviços administrativos.
Apesar do impacto sazonal, os indicadores sugerem um mercado de trabalho ainda resiliente, num contexto em que a taxa de emprego se manteve nos 65,8% e as remunerações médias declaradas à Segurança Social registaram uma subida anual de 4,3%, atingindo 1.776 euros.