Pilotos de IA nas empresas continuam sem escala operacional, alerta José Koch Ferreira, da Boston Consulting Group.
José Koch Ferreira, Managing Director & Partner da Boston Consulting Group em Lisboa, alerta que muitas empresas ainda não conseguiram transformar experiências de inteligência artificial em impacto real nas operações.
A inteligência artificial tornou-se um fator central de competitividade empresarial, mas muitas organizações continuam sem conseguir passar da experimentação para a adoção em escala. A análise é de José Koch Ferreira, Managing Director & Partner da
Boston Consulting Group em Lisboa, que considera que o principal desafio das empresas já não está apenas em testar soluções, mas em integrá-las nas operações do dia-a-dia.
“Hoje em dia é cada vez mais evidente que a IA se tornou um fator decisivo de competitividade. Ainda assim, uma parte significativa das empresas continua presa em fases de piloto, com experiências que ainda não estão a transformar verdadeiramente a forma como operam, servem os clientes ou tomam decisões”, afirma José Koch Ferreira.
A declaração surge no contexto da expansão da parceria global entre a Boston Consulting Group e a
Google Cloud, anunciada ontem, com o objetivo de acelerar a adoção de agentes de inteligência artificial à escala empresarial. A colaboração combina a experiência da BCG em transformação organizacional com as tecnologias de IA e cloud da Google Cloud, incluindo os modelos Gemini.
Para José Koch Ferreira, o problema central está na capacidade de execução. “Gerar mudança exige integrar a IA com velocidade e escala nas operações do dia-a-dia, e esse é hoje o principal desafio das empresas para começarem a ver impacto nos resultados”, sublinha.
A parceria entre a BCG e a Google Cloud pretende apoiar empresas na definição de roteiros de transformação, desenvolvimento de produtos mínimos viáveis, escalabilidade das soluções e criação de mecanismos de governação, segurança e gestão da mudança. O objetivo é transformar modelos de negócio, funções e fluxos de trabalho através de agentes de IA capazes de gerar ganhos em produtividade, eficiência, receitas e inovação.
Thomas Kurian, CEO da Google Cloud, defende, por seu turno, que a parceria procura converter a estratégia de IA em ação empresarial. “Em conjunto, estamos a transformar a estratégia de IA em ação, a acelerar a adoção destas soluções pelos nossos clientes e a converter esta tecnologia num verdadeiro motor de crescimento”, afirma.
A colaboração prevê ainda que engenheiros da Google trabalhem com equipas da BCG em casos complexos de clientes, incluindo o desenvolvimento de protótipos e soluções de IA adaptadas a diferentes setores. O Google DeepMind deverá também disponibilizar acesso antecipado a modelos avançados, incluindo a família Gemini, com contributos da BCG para o seu aperfeiçoamento em contexto empresarial.
A BCG foi distinguida como “Parceiro do Ano” da Google Cloud em 2025 e 2026, reforçando o carácter estratégico desta aliança num momento em que a inteligência artificial deixa de ser apenas uma promessa tecnológica e passa a ser avaliada pela sua capacidade de produzir resultados mensuráveis nas empresas.