Empresas obrigadas a divulgar salários nos anúncios até junho, mas só 26% já o faz, revela o Guia Hays sobre transparência salarial.
As empresas obrigadas a divulgar salários nos anúncios de emprego terão de adaptar processos até 7 de junho de 2026, data-limite para a transposição da Diretiva Europeia (UE) 2023/970, que impõe novas regras de transparência salarial no mercado de trabalho.
De acordo com o
Guia Hays 2026, apenas 26% das empresas em Portugal divulga atualmente faixas salariais, num contexto em que 85% dos profissionais afirma valorizar essa prática e se mostra mais motivado a candidatar-se quando o salário é indicado.
A diretiva introduz alterações com impacto direto no recrutamento, obrigando à divulgação da remuneração ou intervalo salarial logo no anúncio ou antes da entrevista, e proibindo a recolha de informação sobre o salário atual dos candidatos como base de negociação.
Segundo Paula Baptista, “estamos a assistir a uma mudança cultural que vai redefinir a relação entre empresas e talento”, sublinhando que a transparência deixou de ser um fator opcional para se tornar “crítico na atração e retenção de profissionais qualificados”.
Os dados indicam ainda que a maioria das organizações não dispõe de estruturas salariais definidas: apenas 25% dos profissionais refere a existência de critérios claros para aumentos salariais e 26% aponta para a existência de bandas salariais divulgadas internamente, evidenciando o grau de preparação limitado das empresas para cumprir a nova regulamentação.
A pressão sobre as áreas de recursos humanos deverá intensificar-se, com necessidade de rever políticas de compensação, alinhar práticas internas com a comunicação externa e estruturar modelos salariais mais consistentes e auditáveis.
Num mercado marcado pela escassez de talento, a remuneração continua a ser determinante, sendo o principal motivo de recusa de propostas para 62% dos profissionais. Este enquadramento reforça o impacto da nova diretiva, que poderá acelerar mudanças na forma como as empresas comunicam a sua proposta de valor.
A entrada em vigor destas regras representa, assim, uma transformação estrutural no mercado de trabalho português, colocando a transparência salarial no centro das estratégias de atração e retenção de talento.