Empresas que atrasem a integração de inteligência artificial arriscam perder competitividade, alerta estudo global da Deloitte sobre adoção empresarial de IA.
As organizações que demorarem a integrar inteligência artificial nas suas operações correm o risco de perder competitividade num mercado cada vez mais orientado pela inovação tecnológica, segundo o mais recente estudo global da Deloitte sobre adoção empresarial de IA.
A integração da inteligência artificial está a tornar-se um fator determinante de competitividade empresarial, com as organizações que atrasem esta transformação a arriscarem perder relevância no mercado, conclui o estudo
State of AI in the Enterprise 2026, da Deloitte.
Segundo o relatório, a maioria das empresas está já a acelerar os seus planos de adoção, com 75% das organizações a prever implementar agentes autónomos de inteligência artificial nos próximos dois anos.
Para Hervé Silva, Partner de AI & Data da Deloitte, as empresas estão perante um momento decisivo na forma como encaram a tecnologia. “Estamos a olhar para uma verdadeira integração de fundo da IA no coração das operações, que permitirá transformar por completo a forma como utilizam estas tecnologias em prol do seu negócio”, afirma.
O estudo indica que a inteligência artificial está a deixar de ser utilizada apenas para ganhos de eficiência pontuais, começando a assumir um papel mais estrutural na redefinição de processos, funções e modelos de negócio. Ainda assim, apenas 34% das organizações afirma estar a utilizar a IA para transformar profundamente a empresa, enquanto 37% admite recorrer à tecnologia de forma superficial, sem alterações significativas aos processos existentes.
A Deloitte alerta igualmente para os desafios de governação associados à nova geração de sistemas autónomos. Apesar da rápida expansão da chamada Agentic AI, apenas 21% das empresas reporta possuir modelos maduros de governance para este tipo de tecnologia.
O relatório sublinha ainda que 60% dos trabalhadores já utilizam ferramentas de IA autorizadas pelas respetivas organizações, um aumento de 50% num único ano, refletindo a crescente penetração destas tecnologias no quotidiano empresarial.
Outro fator emergente é a crescente relevância estratégica da chamada IA soberana. Segundo a Deloitte, 83% das organizações considera este tema pelo menos moderadamente importante para o planeamento estratégico, numa altura em que empresas e governos procuram maior controlo sobre a origem, localização e governação das infraestruturas tecnológicas.
Apesar da aceleração na adoção, o estudo identifica também fragilidades ao nível da preparação interna das empresas, com a falta de competências dos colaboradores a surgir como principal entrave à integração plena da inteligência artificial nas organizações.