Escassez de talento em IT atinge 85% em Portugal, com competências em IA entre as mais difíceis de recrutar.
A escassez de talento em IT atinge 85% dos empregadores em Portugal, colocando o país acima da média global de 73%, segundo o
Global Talent Shortage Survey 2026, do ManpowerGroup. O setor de Tecnologia e Serviços de Informação apresenta um nível igualmente elevado, com 82% das empresas a reportarem dificuldades de recrutamento.
As competências ligadas à inteligência artificial surgem no topo das mais difíceis de encontrar. A literacia em IA é apontada por 35% das empresas como a principal lacuna, seguida pelo desenvolvimento de modelos e aplicações de IA (30%) e pelas competências de engenharia (26%), refletindo a crescente pressão gerada pela adoção acelerada de novas tecnologias.
Segundo Nuno Ferro, Brand Leader da Experis, “a escassez de talento qualificado em Tecnologia e Serviços de IT reflete a velocidade a que as empresas estão a adotar novas tecnologias, nomeadamente em áreas como Cloud, Data ou IA, com a procura por talento especializado a crescer mais rapidamente do que a capacidade do mercado para o disponibilizar”.
Apesar do peso das competências técnicas, as empresas continuam a valorizar competências humanas. Profissionalismo e ética no trabalho são referidos por 52% dos empregadores, enquanto a adaptabilidade e vontade de aprender são destacadas por 50%, num contexto em que a atualização contínua de competências se torna essencial.
Perante este cenário, as empresas estão a reforçar estratégias de atração e retenção de talento. A maior flexibilidade de horários é a medida mais adotada, referida por 35% dos empregadores, seguida pelo investimento em formação e capacitação e pelo aumento de salários, ambos mencionados por 30% das empresas. Modelos de trabalho híbrido ou remoto são também utilizados por 28% das organizações, enquanto 20% recorrem ao recrutamento internacional para colmatar a escassez de competências.
O estudo do ManpowerGroup baseia-se em mais de 39 mil empregadores em 41 países e territórios e evidencia um desfasamento crescente entre a procura por competências tecnológicas e a capacidade do mercado de trabalho para as disponibilizar.