Europa debate soberania digital e transformação económica no Congresso APDC, que decorre a 6 e 7 de maio, em Lisboa.
A soberania digital e a capacidade de transformar inovação em crescimento económico estão no centro do Congresso da APDC, que decorre hoje e amanhã, dias 6 e 7 de maio, em Lisboa.
Num contexto de crescente competição geopolítica e aceleração tecnológica, a Europa enfrenta um desafio estrutural: transformar a sua capacidade de inovação em poder económico e competitividade global. Este é o ponto de partida do
Congresso da APDC, que reúne em Lisboa decisores políticos, reguladores e líderes empresariais para discutir o futuro digital europeu.
A dificuldade em escalar inovação, frequentemente apontada como uma fragilidade do modelo europeu, surge como um dos temas centrais do debate. Apesar de concentrar talento, conhecimento científico e capacidade tecnológica, a Europa continua a enfrentar obstáculos na conversão desses ativos em crescimento económico sustentado e em presença global relevante.
A questão da soberania digital assume também um papel central, num momento em que a dependência de infraestruturas e tecnologias externas ganha dimensão estratégica. A segurança, a resiliência das infraestruturas críticas e a autonomia tecnológica são hoje entendidas como fatores determinantes para a competitividade económica.
Segundo Rogério Carapuça, presidente da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC), o momento atual exige decisões estruturais sobre o posicionamento europeu na economia digital, num contexto marcado por maior incerteza, disrupção e pressão sobre os modelos económicos.
O congresso conta ainda com a participação de responsáveis governamentais e especialistas do setor, como Gonçalo Matias, Ministro-adjunto e da Reforma do Estado e João Rui Ferreira, Secretário de Estado da Economia, refletindo a crescente centralidade das políticas digitais na agenda económica.
A modernização do Estado, a aplicação de inteligência artificial e o reforço da segurança digital são outros dos temas em análise, num debate que cruza estratégia, execução e impacto económico.
Mais do que tecnologia, o congresso coloca em evidência a necessidade de alinhar investimento, regulação e capacidade de execução para que a Europa consiga afirmar-se como um ator relevante na nova ordem digital.