A formação ultrapassou o recrutamento entre as prioridades dos RH em Portugal, com 79,6% das empresas a manter ou reforçar investimento no desenvolvimento interno.
A formação e o desenvolvimento de competências ultrapassaram a atração de talento entre as principais prioridades estratégicas dos departamentos de recursos humanos em Portugal, refletindo uma mudança de abordagem das empresas perante a escassez de talento e a transformação tecnológica.
As empresas em Portugal estão a dar prioridade crescente ao desenvolvimento interno das suas equipas, numa resposta à dificuldade de recrutamento e à necessidade de adaptação a novas exigências tecnológicas. Segundo o mais recente
Barómetro RH GALILEU 2026, 79,6% das organizações prevê aumentar ou manter o investimento em formação e desenvolvimento, assumindo esta área como uma alavanca crítica de competitividade e produtividade.
De acordo com o estudo, a aposta na formação surge como resposta à pressão salarial, à escassez de competências e à necessidade de acompanhar a transformação digital dos negócios, traduzindo uma redução do foco exclusivo no recrutamento externo.
“Os profissionais e departamentos de Recursos Humanos em Portugal não mudam de direção, mas aceleram na estratégia. As prioridades mantêm-se, tornando-se mais pragmáticas, mais orientadas para a execução e conscientes dos seus limites estruturais”, afirma Cláudia Vicente, diretora-geral da GALILEU.
Apesar desta mudança de foco, o relatório indica que a maioria das empresas continua a recorrer ao recrutamento externo para preencher vagas, uma vez que apenas uma minoria dispõe de estratégias estruturadas de upskilling e reskilling.
O estudo mostra ainda que a inteligência artificial ganha importância crescente na agenda dos recursos humanos: mais de 80% dos profissionais do setor consideram a tecnologia uma prioridade futura, embora a sua utilização permaneça centrada sobretudo na automatização de tarefas administrativas.
Segundo a GALILEU, os dados revelam uma aproximação crescente entre os departamentos de RH e os objetivos estratégicos das empresas, com 72% dos inquiridos a reconhecer alinhamento total ou parcial entre gestão de talento e estratégia de negócio.