Jorge Andrês CorreiaA imagem que transparecemos tem de estar adequada aos nossos critérios profissionais e tem de se destacar pela positiva.
Jeff Bezos define branding como sendo aquilo que as
pessoas falam de nós quando não estamos presentes. O fundador da Amazon
extrapola assim a imagem das marcas e celebridades, o posicionamento e os
valores comerciais, que eram apenas associados à marca em si, para algo mais
pessoal.
O ser humano demora frações de segundos a julgar uma pessoa,
notícia ou evento. Quem o disse foi Alex Todorov, psicólogo Americano, que num
estudo em 2008 concluiu que apesar de pensarmos que julgamos com razão e
deliberadamente, é muito mais difícil do que isso e, normalmente, julgamos com
a primeira impressão e pensamentos pré-definidos.
Isto pode alargar-se à área política, onde maioria das
pessoas sabe em quem vai votar no exato momento em que os candidatos são
apresentados, não ligando ao circo mediático, ou, no caso do artigo, à área
profissional.
Todos nós, enquanto profissionais, independentemente da área, estamos sujeitos a um rótulo (sem ser em tom depreciativo). Daí a importância de algo chamado branding pessoal!
A forma como cumprimentamos um colega, como sorrimos para um
cliente ou como debitamos as nossas ideias à administração podem causar
julgamentos. Assim, é necessário desfazê-los, evitando imbróglios para ambas as
partes.
A imagem que transparecemos, e não falamos apenas em
caraterísticas físicas, tem de nos fazer sentir bem, tem de estar adequada aos
nossos critérios profissionais e, no meio do bombardeamento de informação que
ocorre diariamente, tem de se destacar. Se possível, pela positiva.
Com a disseminação das redes sociais procuramos ter um branding digital que seja cuidadoso e perfecionista. No entanto, na vida real, não há filtros nem edições que nos permitam pensar os atos, conversas ou dilucidações.
Criar uma rede de contactos é algo valioso, mas vagaroso. No
entanto, este princípio não deve basear-se em oportunismo, mas sim um contacto
verdadeiro, com quem nos faz bem, quem respeitamos e nos respeita e com quem
melhoramos ou ajudamos a melhorar. O que é plantado de forma factícia tem um
sabor muito pior do que algo orgânico.
Se somos médicos que só leem conteúdos de medicina, se somos
músicos que só querem saber de música (ou outros exemplos bacocos como estes)
estamos a perder muito do que se passa no mundo.
Sair da zona de conforto da nossa profissão, ainda que seja conveniente estar atualizado sobre o que nos rodeia profissionalmente, é uma mais-valia. Faz com que a mente ganhe novos contornos e encontre caminhos até agora recônditos. No fim, inconscientemente, tornamo-nos melhores pessoas, ou pelo menos diferentes, e profissionais mais apetrechados para enfrentar os desafios do futuro.