IA na moda pode acelerar a produção visual no comércio eletrónico, mantendo rigor no produto e reforçando o papel da criatividade humana.
Nuno Oliveira, cofundador da Hi Human, defende que a inteligência artificial pode ajudar marcas de moda a produzir conteúdos visuais com mais rapidez e consistência, mas sublinha que a validação humana continua a ser essencial para preservar o detalhe real do produto.A produção de conteúdos tornou-se um dos maiores desafios operacionais para as marcas de moda. Com várias coleções por ano, centenas de referências e a necessidade de alimentar canais como lojas online, lookbooks, catálogos B2B e campanhas digitais, a pressão sobre as equipas criativas aumentou de forma significativa.
Para
Nuno Oliveira, cofundador da
Hi Human, o principal bloqueio não está apenas no custo. Está, sobretudo, na combinação entre tempo e escala. “Muitas vezes o problema começa antes: é a dificuldade em produzir, aprovar e adaptar conteúdos com rapidez, mantendo consistência visual em todas as peças e canais”, afirma.
Este desafio é particularmente relevante para marcas com equipas criativas reduzidas. Nestes casos, o processo de produção e validação de imagens pode tornar-se pesado e atrasar a chegada dos produtos ao mercado. A necessidade de adaptar conteúdos a diferentes formatos e plataformas acrescenta complexidade a um ciclo já exigente.
Produzir mais sem perder rigor visual
A inteligência artificial surge, neste contexto, como uma ferramenta capaz de acelerar parte da produção visual. No entanto, Nuno Oliveira sublinha que a sua utilização deve respeitar limites claros, sobretudo num setor em que pequenos desvios num padrão, tecido, corte ou proporção podem alterar a perceção da peça.
“A inteligência artificial deve ser usada como uma ferramenta de produção, não como uma ferramenta de substituição da identidade da marca ou do produto”, defende o cofundador da Hi Human.
Segundo Nuno Oliveira, o ponto essencial está em trabalhar a partir de referências reais do produto e de diretrizes visuais claras da marca. A IA pode apoiar a criação de imagens com modelo, sugerir looks, adaptar conteúdos a diferentes formatos ou preparar materiais comerciais. Ainda assim, deve existir sempre uma camada de validação humana.
Para o responsável, a tecnologia tem de respeitar o detalhe da peça e não deve “inventar” elementos que afastem a imagem final do produto real. Esta preocupação é decisiva para que a IA funcione como apoio à produção e não como fonte de distorção visual.
Um modelo híbrido para a moda
Nuno Oliveira antecipa que o futuro da produção visual no setor será híbrido. Fotógrafos, modelos, estúdios, designers e equipas de e-commerce continuarão a ter um papel relevante, sobretudo na construção da identidade visual das marcas, nas campanhas estratégicas e na direção criativa.
O impacto da IA deverá fazer-se sentir sobretudo nas tarefas mais repetitivas. A tecnologia pode permitir que as equipas produzam mais variações, com maior rapidez e consistência. Para marcas pequenas e médias, esta capacidade pode representar uma mudança importante, ao reduzir a dependência de processos mais demorados e dispendiosos.
“Não vemos a IA como substituta da criatividade humana, mas como uma forma de a escalar”, conclui Nuno Oliveira.