IA integrada mercado ganha escala e supera aplicações autónomas, segundo estudo da Deloitte.
A inteligência artificial está a deixar de ser utilizada como ferramenta autónoma para passar a estar integrada de forma invisível nas plataformas digitais, numa mudança que está a redefinir o comportamento dos utilizadores e os modelos de negócio.
Segundo o relatório
“Technology, Media & Telecommunications Predictions 2026”, da Deloitte, o uso diário de IA incorporada em motores de pesquisa deverá ser cerca de 300% superior ao das aplicações independentes, refletindo uma adoção mais natural e menos dependente de interação direta.
Esta transição marca a entrada da IA numa fase de escala, em que a tecnologia deixa de ser um elemento experimental para passar a integrar a infraestrutura da economia digital, com impacto direto na forma como empresas e consumidores interagem com serviços e conteúdos.
Para Pedro Tavares, partner e líder da indústria de TMT da Deloitte, “a IA está a transformar, simultaneamente, os modelos de negócio, a forma como as empresas operam e, não menos importante, as expectativas dos consumidores”, destacando que a evolução tecnológica e o contexto geopolítico tornam 2026 um ano decisivo.
A crescente integração da IA implica também uma pressão adicional sobre as infraestruturas digitais. A Deloitte antecipa que a “inferência” — a execução de modelos em tempo real — represente cerca de dois terços de toda a capacidade computacional dedicada à IA em 2026, reforçando a importância dos centros de dados e de chips avançados.
Em paralelo, os agentes autónomos deverão impulsionar a próxima vaga de automação, com o mercado global a poder atingir 45 mil milhões de dólares até 2030, transformando o software e introduzindo novos modelos de consumo baseados em resultados.
A evolução tecnológica ocorre num contexto de crescente complexidade geopolítica e pressão sobre cadeias de fornecimento, nomeadamente no setor dos semicondutores, reforçando a importância da soberania tecnológica e da capacidade de investimento em infraestruturas digitais.
O estudo conclui que o sucesso das organizações dependerá da sua capacidade de integrar a inteligência artificial de forma estratégica e operacional, num momento em que a tecnologia deixa de ser visível para passar a ser estrutural.