IA muda forma como consumidores escolhem marcas

Empreendedor.com Editor

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Estudo revela que a inteligência artificial está a transformar as decisões de compra e a forma como os consumidores avaliam marcas.
A inteligência artificial está a alterar a forma como os consumidores tomam decisões de compra, passando a funcionar como ferramenta de validação e análise antes da escolha de marcas ou serviços.
A inteligência artificial está a transformar a forma como os consumidores pesquisam, comparam e validam decisões de compra. Ferramentas baseadas em IA passaram a integrar o processo de escolha de marcas, produtos e serviços, funcionando como um novo filtro de análise antes da decisão final.
A conclusão surge num estudo realizado pela Consumers Trust Labs, no âmbito do Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, que indica que mais de 65% dos consumidores portugueses já recorrem a ferramentas como ChatGPT, Google Gemini ou Grok para apoiar decisões de compra.
Para Pedro Lourenço, fundador do Portal da Queixa by Consumers Trust, esta tendência reflete uma mudança estrutural no comportamento do consumidor. “A Inteligência Artificial está a tornar o consumidor mais exigente, mais informado e mais consciente e está a aumentar a literacia de consumo. Num contexto digital cada vez mais complexo, a tecnologia assume-se como aliada à proteção e defesa do consumidor, desde que assente em dados transparentes e verificáveis”, afirma.
De acordo com o estudo, a utilização de IA não se limita à comparação de preços ou características técnicas. Os consumidores recorrem cada vez mais a estas ferramentas para analisar reputações, identificar reclamações e reduzir riscos antes de concluir uma compra.
Segundo os dados recolhidos junto de 1.378 utilizadores do Portal da Queixa, mais de 72% dos inquiridos considera que a utilização de inteligência artificial melhorou o seu comportamento de compra, levando-os a pesquisar mais informação e a tomar decisões mais fundamentadas.
Esta evolução está também a alterar o peso da publicidade tradicional no processo de decisão. Cerca de 76% dos consumidores afirma depender tanto ou mais de informação imparcial e de experiências reais do que de anúncios para escolher marcas ou serviços.
Para Pedro Lourenço, esta mudança revela uma nova dinâmica na relação entre empresas e consumidores. “O estudo confirma que a IA está a ser utilizada como escudo contra mensagens promocionais, privilegiando transparência e reputação pública. A publicidade perde centralidade quando o consumidor consegue validar informação através de dados e experiências reais”, sublinha.
Segundo o responsável, a utilidade da inteligência artificial depende, contudo, da qualidade da informação que alimenta os algoritmos. A maioria dos inquiridos considera essencial que os sistemas de IA sejam alimentados com dados reais, atualizados e baseados em casos concretos, condição considerada determinante para reforçar a confiança nas respostas geradas.
Num ambiente digital cada vez mais complexo e saturado de informação, a inteligência artificial começa assim a assumir um novo papel no consumo: não apenas como ferramenta de conveniência, mas como instrumento de análise e validação que reforça o poder de decisão dos consumidores.