IA passa a decisão estratégica dos CEOs, com investimento a duplicar e liderança a subir ao topo das empresas, segundo análise da BCG.
A inteligência artificial está a deixar de ser uma iniciativa tecnológica para se afirmar como uma decisão estratégica ao nível da liderança executiva, numa mudança que está a redefinir o papel dos CEOs nas organizações.
“Estamos a assistir a uma mudança estrutural na forma como a gestão de topo encara a Inteligência Artificial. A IA deixou de ser uma iniciativa tecnológica para passar a ser uma prioridade estratégica liderada pelo CEO”, afirma Eduardo Bicacro, Managing Director & Partner da Boston Consulting Group (BCG) em Lisboa.
Segundo o relatório
“BCG AI RADAR 2026”, o investimento em inteligência artificial deverá atingir, em média, 1,7% da receita anual das empresas em 2026, duplicando face aos 0,8% registados no ano anterior.
A crescente centralidade da tecnologia reflete-se também na governação das organizações: 72% dos CEOs assumem hoje a responsabilidade direta pelas decisões relacionadas com IA, o dobro face a 2025, num contexto em que a execução destas estratégias começa a ter impacto na avaliação do desempenho das lideranças.
De acordo com o estudo da Boston Consulting Group, que inquiriu mais de 2.300 executivos a nível global, 94% das empresas continuam a investir em inteligência artificial, mesmo sem retorno imediato, evidenciando a pressão competitiva e a necessidade de adaptação num ambiente de rápida transformação.
“Ao mesmo tempo, há que alinhar a estratégia, desenvolver capacidades e acompanhar de forma rigorosa os resultados para garantir criação de valor”, sublinha Eduardo Bicacro, destacando a necessidade de uma abordagem integrada que combine tecnologia, talento e execução.
O estudo identifica três perfis de liderança — “pragmáticos”, “seguidores” e “pioneiros” — sendo estes últimos os que lideram transformações mais profundas e investem de forma mais significativa na requalificação das equipas, com cerca de 60% do orçamento de IA direcionado para esse fim.
A evolução sugere que a inteligência artificial está a tornar-se um fator crítico de competitividade, num momento em que a capacidade de execução estratégica ao mais alto nível passa a ser determinante para o sucesso das empresas.