IA reforça estereótipos de género entre jovens

Empreendedor.com Editor

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Relatório da LLYC indica que a IA reproduz estereótipos de género na interação com jovens e influencia escolhas e perceções.
Um relatório da consultora LLYC conclui que a inteligência artificial tende a reproduzir estereótipos de género na interação com jovens, orientando rapazes e raparigas para papéis e expectativas diferentes.
A inteligência artificial pode estar a reforçar estereótipos de género entre jovens, segundo o relatório “A miragem da IA, um reflexo incómodo com alto impacto nos jovens”, elaborado pela consultora internacional de comunicação e assuntos corporativos LLYC. O estudo analisou cerca de 9.600 recomendações geradas por cinco grandes modelos de linguagem, entre os quais ChatGPT, Gemini e Grok, em interações relacionadas com jovens entre os 16 e os 25 anos.
De acordo com o relatório, 56% das respostas analisadas classificam as raparigas como “frágeis” ou “fracas”, enquanto os rapazes são mais frequentemente associados a ação, liderança ou resolução de problemas. A análise aponta também para diferenças na forma como os sistemas aconselham jovens de cada género, com as mulheres a receberem seis vezes mais recomendações para procurar validação externa.
Os resultados sugerem ainda uma orientação diferenciada em relação a percursos profissionais. Segundo o estudo, a inteligência artificial tende a direcionar raparigas com maior frequência para áreas como as ciências sociais ou a saúde, enquanto incentiva mais os rapazes a seguir caminhos ligados à engenharia ou à resolução técnica de problemas.
Luisa García, sócia e CEO Global de Corporate Affairs da LLYC e coordenadora do relatório, considera que estes padrões refletem tendências presentes na própria sociedade. “Não é a IA que está enviesada, mas sim a realidade. A inteligência artificial não corrige os défices que temos e acaba por refletir e amplificar padrões sociais já existentes”, afirma.
O estudo foi realizado em 12 países durante 2025 e procurou avaliar de que forma os grandes modelos de linguagem interagem com jovens utilizadores. Os resultados indicam que a crescente utilização destes sistemas como fonte de aconselhamento pode influenciar a forma como os jovens percecionam papéis sociais, expectativas profissionais e normas culturais.