Empreendedor.comA importância dos Social Media nas empresas é o tema do artigo de Sérgio Pereira, onde explica benefícios, riscos e objetivos que podem ser alcançados com esta aposta.
No contexto organizacional, os Social Media são muitas vezes um canal de comunicação centrado no público jovem e de reduzido poder de compra. Esta assunção leva a que na política de comunicação das empresas este canal de comunicação e venda seja preterido em relação a outros, ditos mais 'tradicionais'.
As mais recentes estatísticas, revelam que as assunções padecem do tradicional problema de falta de aderência à realidade. Estudos da Marktest indicam que o Facebook é a rede social com maior taxa de penetração em Portugal, com 93,6%, seguido do YouTube (41,4%), Google + (40,2%), LinkedIn (37,3%), Instagram (28,9%) e Twitter (23,6%). Entre 2008 e 2015, o número de utilizadores de redes sociais em Portugal cresceu de 17,1% para 54,8%!
As estatísticas dão conta ainda que os millennials têm cerca de cinco contas ativas, nas diversas redes sociais, enquanto que a faixa etária entre os 35-44 terá três contas em redes sociais. valores que apontam para uma atividade crescente nas redes sociais por parte de um público-alvo tendencialmente com maior capital disponível, e mais focado em questões que, em muitos casos, apenas estão disponíveis em canais de contacto direto (presencial, telefónico ou outro).
Com a queda do dogma da clivagem etária associada aos Social Media, surge uma nova realidade à qual as organizações terão de rapidamente adaptar-se, sob pena de negligenciar a entrada num mercado muito importante e até crítico, para alcançarem os seus objetivos.
Alguns dos objetivos que podem ser alcançados com uma presença corporativa nas redes sociais são:
Este é o objectivo mais comum. Com a criação de um novo canal de comunicação é possível atingir um novo público-alvo, que até ao momento se encontrava fora de alcance, bem como reforçar a relação com o cliente/consumidor habitual.
Obtenção direta de feedback por parte do público a questões e comunicados veiculados diretamente na rede. Caso este feedback tenha uma resposta ou consequência, aumentamos o nosso networking e impulsionamos o engagement, que facilitará futuras interações;
Os Social Media podem ainda ser uma ferramenta determinante na avaliação do mercado, tanto na pesquisa de potenciais oportunidades de negócio, como na identificação de vulnerabilidades na concorrência.
Os Social Media são muitas vezes vistos como impulsionadores de venda direta dentro da organização. Caso esta estratégia não seja bem definida e balizada, poderá levar ao insucesso da iniciativa;
O retorno ao investimento, em qualquer campanha de marketing, independentemente do canal utilizado, não é facilmente mensurável e demora o seu tempo até que se percebam quais os eventuais impactos, principalmente ao nível da venda.
A avaliação do possível retorno ao investimento é um dos maiores entraves à evolução dos Social Media como aposta por parte das organizações. O ROI não é mensurável de forma simples, e requer muitas vezes uma consciencialização da gestão de topo, para melhores práticas de gestão e inovação;
Uma das variáveis não previsíveis é, por exemplo, a capacidade de 'ouvir' o público, clientes ou potenciais clientes, e perceber quais as preocupações e fatores que influenciam a decisão de compra;
Outro dos fatores diferenciadores numa ação em Social Media, e que deve ser incluído na análise de retorno é a possibilidade de agrupar indivíduos numa comunidade. Maximizar a interatividade nas redes sociais, respondendo assertiva e rapidamente às questões colocadas pelos usuários e partilhando informação, conseguindo-se criar uma experiência positiva no individuo que promoverá, de forma natural, o passa-a-palavra, e consequentemente a aceitação de ofertas por parte dos consumidores de um determinado produto ou serviço.
Informação e Capacidade de Análise de Dados - Ao contrário de canais de comunicação tradicionais, os Social Media permitem a análise dos resultados de cada acção de campanha, devido à recolha de acessos, leituras, partilha ou like's. Consegue-se assim perceber de que forma o potencial cliente interage com os conteúdos, o que é fundamental para perceber as tendências e mais-valia percecionada sobre a oferta publicitada;
Recolha de Feedback - Em formatos tradicionais os custos necessários para conseguir obter feedback fidedigno é muito elevado. São vários os processos disponíveis para o efeito como focus groups, contactos diretos a clientes, inquéritos, entre outras opções.
Utilizando os Social Media, a capacidade de reunir opiniões é alcançada a um custo extremamente reduzido, e com um potencial de diversidade da amostragem muito acima dos alcançados ao observar apenas a lista de clientes. Este canal permite ainda uma interatividade tal, que a informação recolhida pode ir muito além daquilo que são as questões colocadas aos clientes ou a focus groups, permitindo uma maior riqueza. O fato do canal permitir interação a partir da zona de conforto dos clientes, assegura que as respostas apresentem o formato mais franco e puro.
Engagement - Devido às suas características de elevada interatividade, os Social Media permitem o envolvimento com o cliente, permitindo uma maior proximidade e ligação emocional que facilita a recolha de informações, bem como a possível compra.
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O principal risco identificado prende-se com o dano ou prejuízo causado na reputação da marca, por comentários negativos. Este é um risco que surge devido a uma maior exposição da empresa perante um público mais diversificado e, por vezes, a própria concorrência pode usar estes novos canais de forma negativa. É por isso imperativo ter uma monitorização constante e eficaz dos conteúdos e dos comentários que aparecem nas páginas dos Social Media onde a organização está presente, de maneira a agir de imediato e da forma mais adequada, em cada situação;
A divulgação de informação confidencial;
Violação de questões de Conformidade Legal (Compliance);
Segundo um estudo da Grant Thornton apenas 13% dos executivos se apresentam como muito preocupados com estes riscos. Sendo que 71% reconhecem a existência dos riscos, mas acreditam que uma boa política de gestão dos Social Media pode mitigar e até evitar os mesmos.
1. O paradigma de utilizador típico das redes sociais está em alteração, verificando-se cada vez mais a presença de perfis de faixas etárias mais elevadas e tendencialmente com maior poder de compra, o que se perfila como uma real oportunidade de negócio;
2. Numa época marcada pela redução do poder de compra, com impacto direto no mercado (compradores), é crítico para as organizações terem em consideração a importância dos Social Media enquanto canal de comunicação. Para que a presença nos Social Media seja eficaz e possibilite extrair benefícios, é importante assegurar o cumprimento dos seguintes passos:
- Alinhamento da mensagem com a estratégia da organização;
- Planeamento da estrutura para gestão de informação (campanhas de marketing - preparação de informação a veicular para o exterior; definição de estratégias de captação de novos 'seguidores'; e serviço ao cliente - análise do feedback obtido; recolha e tratamento de comentários e opiniões);
- Relatórios com resultados obtidos e análise da informação recolhida.nEste último ponto permite re-alimentar a gestão de topo com a informação necessária de apoio na tomada de decisão sobre potenciais ajustes a realizar na disseminação da mensagem, na oferta ou até na estratégia da organização.
(Atualizado em 26/04/2017)