Empreendedor.comA maioria dos empresários inquiridos pelo Barómetro Kaizen (65%) concorda com a prioridade atribuída pelo Governo à obtenção de um excedente orçamental em 2020.
A maioria dos empresários inquiridos pelo Barómetro Kaizen (65%) concorda
com a prioridade atribuída pelo Governo à obtenção de um excedente orçamental em
2020. Entre os 35% que não estão a favor da persistência neste objetivo, 41% defende
que essa meta deveria ser secundarizada em prol do aumento do investimento em
infraestruturas e serviços que permitam tornar o país mais competitivo, e 29%
entende que era mais importante reduzir os encargos e aumentar os benefícios
fiscais para os contribuintes.
Os resultados da edição de fevereiro deste estudo, desenvolvido pelo Kaizen Institute em Portugal, mostram que os
gestores se encontram divididos quanto ao impacto de um parlamento sem maioria
absoluta. Se 54% considera que o executivo socialista governará com impasses
sucessivos e ficará refém das exigências dos outros partidos, comprometendo as
suas decisões sobre reformas estruturais para a economia e para o país, 42%
acredita que o Governo vai trabalhar como até aqui, com o apoio dos mesmos
partidos.
No que respeita ao desempenho das empresas representadas pelo Barómetro
Kaizen, 31% ficaram aquém das metas estabelecidas. Para 26% dos inquiridos, o
processo de planeamento e implementação da estratégia da sua empresa ainda é
“pouco robusto” e com uma “baixa taxa de concretização”.? Ainda assim, apenas 10% prevê uma tendência
decrescente do EBITDA.
“Os resultados desta edição do Barómetro mostram que a confiança dos empresários em relação à economia nacional abrandou ligeiramente nos últimos seis meses – de 12,4 para 12, numa escala de 0 a 20 – e que, apesar de a percentagem dos que cumpriram ou ultrapassaram os seus objetivos de negócio ser elevada, há muitas empresas que ficaram aquém do que se propuseram. Na verdade, no contexto volátil em que hoje vivemos, mesmo as que cumpriram os seus objetivos devem manter-se atentas: apenas as que forem capazes de se antecipar, de otimizar os seus processos de forma proativa e contínua, conseguirão alcançar o sucesso”, realça António Costa, Senior Partner do Kaizen Institute Western Europe.
O serviço ao cliente (43%), o aumento da produtividade (35%), o aumento
das vendas (34%) e a inovação (31%) foram os fatores internos que influenciaram
mais positivamente os resultados das empresas, revela o estudo.
Em
linha com os resultados do Barómetro Kaizen de setembro, o abrandamento da
economia mundial e a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China
mantêm-se entre os fatores externos que mais condicionaram a competitividade das
empresas em 2019, para 65% e 29% dos inquiridos, respetivamente.
Por outro lado, mais de metade dos
empresários (52%) prevê atingir em 2020 níveis de exportação semelhantes aos
alcançados o ano passado, sendo que 20% estima superar esse valor em mais de
10%. Apenas 5% dos inquiridos considera que vai diminuir o ritmo de exportações
relativamente a 2019.
O Barómetro Kaizen concluiu ainda
que, para 66% dos gestores, o investimento em digitalização representou um
impacto moderado nos resultados das suas empresas. De resto, apenas 13% dos
inquiridos destacaram a digitalização entre os fatores internos com mais
impacto positivo na sua performance.
No que diz respeito ao Pacto
Ecológico Europeu (Green Deal), o estudo mostra que o tema já está na
agenda dos líderes empresariais, sendo o uso de energias renováveis (58%) e a
prática de uma economia circular (47%) as duas principais medidas que as
organizações esperam implementar para cumprir com a meta de tornar a Europa no
primeiro continente com impacto neutro no clima até 2050.
O Barómetro Kaizen é um estudo de opinião desenvolvido semestralmente
pelo Instituto Kaizen em Portugal junto de administradores e gestores de médias
e grandes empresas que atuam no mercado português sobre a sua perspetiva quanto
a temas de atualidade, à evolução da economia e do seu negócio, perspetivando
tendências e desafios.
A edição de fevereiro de 2020 do Barómetro Kaizen inquiriu mais de 200
gestores de empresas que representam, no seu conjunto, mais de 35% do PIB de
Portugal.